Fundador do KaZaA alia-se a anti-pirata da RIAA para limpar redes P2P

by Miguel Caetano on 30 de Outubro de 2008

Dois antigos rivais no âmbito do processo contra o KaZaA deram as mãos para varrerem as redes de partilha de ficheiros de todos os conteúdos em violação dos direitos de autor e converter os partilhadores em consumidores pagantes de conteúdos legais. Eles prometem que a tecnologia que eles desenvolveram, denominada Copyrouter, é imbatível mas a verdade é que a sua eficácia parece ser nula no que diz respeito ao BitTorrent, o protocolo de P2P mais utilizado pelos partilhadores.

A companhia que desenvolveu a tecnologia Copyrouter chama-se Brilliant Digital Entertainment e foi criada por Kevin Bermeister e Michael Speck. Enquanto que Bermeister foi, juntamente com Nikki Hemming, fundador do KaZaA, o popular programa de partilha de ficheiros. Por altura do processo contra o KaZaA instaurado pela RIAA e que decorreu entre 2004 a 2006, Speck era o director da Music Industry Piracy Investigations, a unidade de combate à pirataria das grandes editoras nos EUA.

Agora, eles juntaram-se os dois à esquina para acabar de vez com a ‘pirataria’. De acordo com o jornal australiano The Age, a solução que eles desenvolveram destina-se a ser implementada nas redes dos ISPs de modo a “permitir a conversão imediata de actividade infractora em transacções legítimas de conteúdos.” Assim, sempre que os ‘piratas’ pesquisarem por termos relativos a filmes ou músicas eles irão deparar-se com links para adquirir conteúdos legais em vez de ficheiros ilegais.

Como à partida nenhum ISP estaria interessado em prejudicar a sua imagem perante os seus clientes, a Brilliant Digital Entertainment teve a ideia de oferecer uma percentagem das receitas sobre as vendas aos operadores que ficam encarregados de distribuir as versões legais dos conteúdos e de acrescentar o montante da compra à factura de Internet mensal.

A solução Copyrouter baseia-se na tecnologia de inspecção de pacotes Deep Packet Inspection para comparar as somas hash dos ficheiros disponibilizados pelos utilizadores através do ISP onde se encontra instalada com uma lista de somas hash de ficheiros ilegais previamente encontrados na Internet.

Contudo,  a Copyrouter apenas funciona com aplicações online que integram motores de pesquisa como LimeWire, SoulSeek, DC++ e KaZaA e não num protocolo de P2P como o BitTorrent que delega todas as funcionalidades de pesquisa para trackers de torrents. De qualquer forma, isso não parece afectar em muito os planos da Brilliant Digital uma vez que a empresa já realizou uma série de testes técnicos e planeia lançar um teste em condições reais já no próximo mês em parceria com um ISP não identificado.

(via ZeroPaid)

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e pertence a TooByDoo.

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