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Google Brasil censura comunidade do Orkut de partilha de links para discografias

by Miguel Caetano on 14 de Outubro de 2008

São mais de 755 mil os internautas brasileiros que desde Novembro de 2005 se registaram na comunidade Discografias do Orkut, a rede social do Google que é a mais popular no Brasil. Mas o número real de utilizadores que tiram partido dos links para o Rapidshare, 4Shared, EasyShare, MegaUpload e outros sites de partilha de ficheiros disponibilizados por lá deve ser bastante superior, já que não é necessário fazer registo para ter acesso às comunidades do Orkut.

Como o nome indica, a “Discografias” é um espaço em que os utilizadores partilham links de todos os álbuns completos de milhares de bandas e artistas de modo a que possam ser descarregados noutro local. Navegar pela “Discografias” é como que explorar autênticas catacumbas da Internet onde se pode encontrar de tudo, inclusive discos de músicos portugueses como Madredeus, Amália Rodrigues, Carlos do Carmo, Rodrigo Leão, Rui Veloso e Xutos & Pontapés, já para não falar na cabo-verdiana Cesária Évora. Enfim, só por esta amostra já dá para imaginar a variedade e amplitude do catálogo desta enorme “discoteca” colectiva.

A importância das comunidades do Orkut no tráfego dos serviços de alojamento de ficheiros fica bem à vista quanto verificamos que a rede social do Google representa entre 25 a 30 por cento do tráfego de sites como Rapidshare (30%), Badongo e MediaFire (28%), bem como o MegaUpload (28%) no Brasil, de acordo com a Ibope/NetRatings.

Apesar de serem as empresas responsáveis por esses serviços quem beneficia financeiramente com a publicidade e com as contas premium sem limites de armazenamento de dados, os anti-piratas brasileiros pertencentes à Associação Antipirataria Cinema e Música (APCM) acham que o mero acto de publicar esses links que dão acesso a pastas comprimidas contendo ficheiros protegidos por direito de autor constitui uma ilegalidade.

Como a APCM não consegue por si só dar conta do recado de “apagar” centenas de milhares de links para esses serviços, a associação representante dos interesses da indústria cultural no Brasil tem solicitado ao Orkut a sua colaboração, como se pode ler num artigo da edição de hoje da Folha de S. Paulo. Aliás, desde Agosto passado, quando o Google passou a gestão da sua rede social para o seu escritório no Brasil, que o Orkut se tem mostrado especialmente solícito às pressões das autoridades brasileiras.

Segundo os moderadores anónimos da Discografias afirmaram, vários tópicos têm desparecido sem deixar rasto. Félix Ximenes, o director de comunicação da Google no país, admite: “Tiramos [o tópico] quando está constatado algum tipo de violação num link específico.” Mas será que faz algum sentido para o Google remover os links que encaminham para ficheiros alojados em servidores de terceiros?

A questão faz todo o sentido, até porque já não é o primeiro caso em que a Google brasileira decide alegadamente censurar comunidades no Orkut, sendo mesmo suspeita de ter apagado duas comunidades por estas fazerem a apologia do consumo de drogas. A razão invocada para tal “apaganço” foi que essas comunidades violavam os termos de uso da rede social.

Se a filial brasileira da maior empresa de Internet do mundo tem toda a liberdade para cercear a liberdade de expressão dos utilizadores dos seus sites, o acto de apagar links que poderão conduzir a ficheiros ilegais já me parece mais perigoso, uma vez que deixa aberta a porta para outras situações potencialmente mais gravosas no que se refere à versão brasileira do seu motor de pesquisa. Segundo esta mesma lógica, a empresa poderia passar a filtrar os resultados das pesquisas que contivessem material em violação dos direitos de autor sempre que a APCM lhe pedisse. E já que estamos a falar de discos e filmes, porque não conteúdos relacionados com drogas, por exemplo?

O Google não se pode deixar transformar em cão de guarda das editoras e dos estúdios de cinema. A APCM e aos detentores de direito devem enviar intimações às empresas que alojam os ficheiros em questão e não ao Google. É certo que o Orkut tem tido vários problemas graves com as autoridades brasileiras devido às imagens de pornografia infantil que são ali publicadas. Em Abril deste ano, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada pelo Senado para investigar a disseminação de material de teor pedófilo na rede social ameaçou fechar o Orkut caso os seus executivos não colaborassem no sentido de transmitir o nome dos internautas responsáveis por esses conteúdos.

Mas a CPI é uma entidade pública que detém os mesmos poderes de investigação que uma autoridade judicial como o Ministério Público ou uma força policial e a APCM é apenas uma entidade que representa os interesses de um grupo de empresas privadas. 

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APCM (Brasil): 45 mil links apagados em 2008 contra quantos criados? | Remixtures
6 de Novembro de 2008 ás 23:18

{ 3 comments… read them below or add one }

1 Mind Booster Noori 14 de Outubro de 2008 ás 19:19

There we go again: http://news.cnet.com/2100-1023-243331.html

O pior é que agora é o Google a ceder à censura… Claro que eles podem. Nos Terms of Use, “Google reserves the right (but shall have no obligation) to pre-screen, review, flag, filter, modify, refuse or remove any or all Content from any Service.” A partir desse momento… pouco há a fazer.

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2 Miguel Caetano 14 de Outubro de 2008 ás 19:52

@Marcos: poder até podem, mas neste caso não ganham nada com isso. Muito pelo contrário. E se a APCM decide começar a enviar intimações ao Google para remover os resultados do motor de pesquisa fundamentando-se neste precedente do Orkut? E quando eu falo na APCM, falo na IFPI, RIAA, MPAA… Creio que a direcção do Google Brasil está a actuar à revelia da empresa-mãe na Califórnia. Porque isso é contra-producente contra toda a lógica do princípio de neutralidade da rede. Quem não deve, não teme. A responsabilidade legal, se existir alguma, pertence toda à empresa responsável pelo serviço de alojamento de ficheiros. Aliás, os utilizadores registados desta comunidade podiam juntar-se e contratar um bom advogado para processar a Google, por via das dúvidas. Mesmo que o que o Google esteja a fazer seja perfeitamente legal, seria uma forma de “assustar” a direcção da empresa.

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3 Rodrigo Cunha 15 de Outubro de 2008 ás 22:02

Fim de festa pra quem utilizava orkut pra baixar musicas? Claro que não! http://tinyurl.com/47eyn4

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