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Lala: à terceira é de vez? Não! Publicado 21 Out 08

A Lala.com é aquela empresa responsável por um serviço de música online que está convencida que existe gente disposta a dar dez cêntimos para poder ouvir uma música via streaming a partir de qualquer lugar. Tsk, tsk… Esta startup californiana surgiu pela primeira vez sob a forma de serviço de troca de CDs em 2006.

Como as vendas de CDs não paravam de diminuir, resolveu então reinventar-se a si própria sobre a forma de um serviço de streaming gratuito de música online em Junho de 2007. Como na altura a companhia não conseguiu atrair mais nenhuma das quatro grandes editoras para além da Warner Music Group, tendo para além do mais sofrido vários problemas com a largura de banda disponível, a única opção que lhe restou foi aguardar por melhores dias. Até ao final de Maio deste ano, quando a empresa ressurgiu em modo beta com um novo modelo de “propriedade virtual” das músicas.

Entretanto, os utilizadores residentes fora dos Estados Unidos viram-se privados do acesso às músicas. Esta semana, a Lala.com abriu finalmente uma versão pública do seu site que conta com o catálogo das quatro grandes (Universal Music, Sony Music Entertainment, Warner Music e EMI) e de mais de 170 mil etiquetas, editoras e distribuidoras independentes. Tudo somado representa acima de seis milhões de temas. No entanto, os residentes fora dos EUA não têm - mais uma vez… - direito a nada.

Também não importa, porque o funcionamento do seu serviço continua basicamente o mesmo: os utilizadores podem ouvir todas as músicas pelo menos uma vez. A partir daí, se quiserem ouvir mais vezes o mesmo tema podem optar por pagar 10 cêntimos de dólar para comprarem o direito de reproduzi-lo via streaming quantas vezes quiserem a partir de um “cacifo virtual”.

Outra opção consiste em pagar 89 cêntimos para poder descarregar uma cópia da faixa para o nosso computador em formato MP3 sem DRM de 256 Kbps. Quem já tiver pago 10 cêntimos pela cópia online, terá que desembolsar apenas 79 cêntimos. Os álbuns custam 7,49 dólares. Para além disso, antes de gastarem qualquer dinheiro têm também direito a um “brinde” inicial de 50 streams grátis.

De modo a justificar o preço de 10 cêntimos cobrado quando boa parte dos serviços de música online (Deezer, Imeem, Jiwa, MySpace Music, GrooveShark) oferecem o streaming ilimitado de todas as músicas que quisermos, o director executivo da Lala Geoff Ralston apresentou como argumento o facto desses sites colocarem vários entraves à sua utilização como seja o recurso abusivo a anúncio ao passo que a Lala promete nunca vir a integrar qualquer tipo de publicidade no seu site.

Para além disso, o Lala oferece também espaço de armazenamento em disco para guardar online cópias de todas as músicas da nossa colecção pessoal - independentemente de terem sido adquiridas legal ou ilegalmente. Se aos metadados das músicas constarem da base de dados da companhia, nem é preciso fazer o upload para os seus servidores.

Este “cacifo virtual” é muito ao estilo cloud computing, um termo que está muito na moda mas que poucos sabem o que quer dizer. Mas se a ideia parece promissora, o resultado prático nem tanto. Porque na prática, quem pagar pelos 10 cêntimos por uma música nova está a pagar pelo direito a ouvir uma cópia de um formato com uma qualidade áudio medíocre (MP3 de 128 Kbps). Na verdade, a oferta da Lala.com não passa de um mashup inventado à pressão do antigo serviço MyMP3.com de Michael Robertson com os novos sites de streaming de música a pedido.

É completamente idiota que as pesssoas paguem pelo direito a fazer o streaming ilimitado de músicas a esta altura do campeonato, justamente que quase toda a gente oferece streaming gratuito de músicas graças ao financiamento da publicidade. Os mais pessimistas poderão argumentar que a actual crise económica poderá vir a provocar uma razia nos investimentos em publicidade online e que muitas dessas plataformas actualmente gratuitas poderão vir a fechar ou a cobrar dinheiro. Mas aí sempre haverão as alternativas ditas “ilegais” que oferecem uma garantia permanente de que poderemos gravar para CD, transferir para um iPod/iPhone ou qualquer outro leitor de música portátil, partilhar com os familiares, etc.

O que a Lala.com anda a vender não passa de uma intrujice, de uma “nuvem” que pode desaparecer de um momento para o outro caso a empresa feche as portas. O que é mais estranho é que há muito boa gente a cair nesta esparrela… Outros nem tanto.  

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1 resposta a “Lala: à terceira é de vez? Não!” :

  1. o serviço oferecido pela Playlist.com é melhor e é de borla.

    Comentário de number em 22 Out 08 07:59.
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