
As bandas independentes norte-americanas que não conseguiram fazer uploads das suas músicas para a nova versão do MySpace Music têm agora um “prémio” de consolação. A partir de agora elas podem ao menos gastar um mínimo de 25 dólares em anúncios para promover o seu site no MySpace. Enquanto isso, aqueles grupos que já se encontram por lá e não possuem contratos nem com as grandes editoras nem com o agregador digital The Orchard ficam a ver navios desse dinheiro. Granda negócio, não acham?
Esta plataforma de publicidade da rede social da News Corp. dá pelo nome de MyAds. O lançamento da versão beta ocorreu em Julho junto de um grupo privado de anunciantes mas só agora é que o MyAds abriu ao público. Bastam alguns cliques e 25 dólares para qualquer pequeno anunciante criar a sua campanha publicitária destinada às páginas do MySpace tendo em conta mais de 1100 critérios específicos tendo em conta o público-alvo pretendido (idade, sexo, interesses, localização geográfica, etc.)

Tal como no Google AdSense, o MyAds permite que os anunciantes paguem pela publicidade tendo em conta o seu desempenho estabelecendo um preço mínimo de 25 cêntimos por clique. Estes anúncios são depoisi exibidos junto dos utilizadores e dos conteúdos associados aos critérios especificados. Se na versão beta, os links apenas encaminhavam o utilizador para páginas do MySpace, com a nova versão os anúncios passam também a linkar para fora da rede social.
Apesar do serviço poder ser utilizado por cineastas, políticos, escritores, videobloggers, ONGs, restaurantes, cómicos, estações de rádio e médicos, a MySpace está particularmente interessada em promover a sua plataforma de publicidade às bandas independentes que buscam a fama e glória sem a ajuda de uma editora discográfica, como admitiu Jeff Berman, presidente de marketing e de vendas à Billboard: “Este serviço foi concebido tanto para grupos já conhecidos do grande público como para tipos que tocam música no auditório do seu liceu.”
Na lógica do MySpace – isto é, a estrita acumulação e maximização capitalista de “riqueza” -, a estratégia seguida pela empresa faz assim todo o sentido: de um lado faz tudo para que as pequenas bandas sem contrato paguem para promoverem o seu trabalho através da rede social; do outro, impede-as de receberem uma percentagem do enorme bolo total de receitas que a sua secção de música – que oferece o streaming ilimitado de temas – gera. Mas este tipo de práticas pode melhor ser caracterizado como uma forma subreptícia de exploração. Só espero é que as bandas se apercebam disso e façam de uma vez por todas pressão para que esse comportamento lamentável.
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