
“Os piratas consomem largura de banda até mais não com os seus malditos uploads todo o dia e toda a noite! Há que acabar com isso!,” alerta a Sandvine, uma empresa de tecnologias de gestão de tráfego de rede, no seu mais recente estudo 2008 Global Broadband Phenomena sobre os tipos de utilização da Internet e tendências de tráfego cujo resumo pode ser encontrado aqui.
Mas para começo de conversa, convém no entanto desconfiar de uma companhia que ficou conhecida por fornecer o hardware utilizado pelo fornecedor de acesso à Internet norte-americano Comcast para diminuir a velocidade dos downloads de BitTorrent dos seus clientes. Mais recentemente, depois de ter levado um raspanete da entidade reguladora FCC, este ISP adoptou a solução Fairshare da Sandvine para resolver problemas de congestão de rede.
Posto isto, segundo os dados nada imparciais da Sandvine o tráfego de P2P é responsável por 61 por cento de toda a largura de banda consumida em upstream (relativo aos uploads) a nível global e por 22 por cento da largura de banda ocupada em modo downstream (relativa aos downloads).
Este estudo baseia-se numa recolha de dados realizada junto de mais de 16 milhões de assinantes de ligações de banda larga ligados a 26 ISPs de 18 países dos cinco continentes. Supostamente, trata-se de uma pesquisa rigorosa e suficientemente abrangente.
Mas lá está: mesmo que estas percentagens sejam de facto fiáveis, não se pode deixar de desconfiar que estes dados estejam altamente inflacionados no intuito de convencer os fornecedores de acesso à Internet que o BitTorrent e outros protocolos de P2P constituem uma autêntica calamidade para a saúde da sua infra-estrutura de rede. Na maior parte destes estudos, o objectivo final é sempre fazer com que os ISPs torrem dinheiro com hardware de “Inspecção Profunda de Pacotes” (Deep Packet Inspection – DPI) que apenas degrada a experiência do utilizador-final que se vê assim obrigado a mudar de operador.
Em relação à largura de banda de downstream, o tráfego Web lidera a lista com 43,26%, situando-se os sites de streaming de áudio e vídeo em terceiro lugar com 16 por cento. Quanto ao upstream, a Web é relegada para um segundo lugar muito distante do P2P, o líder indisputado, representando apenas 17,11 por cento. Está bem, está…
(via TorrentFreak)
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertence a tamra hays.
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