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P2P legal deverá crescer a um ritmo vertiginoso Publicado 21 Out 08

Afinal, o Peer-To-Peer ainda representa alguma coisa no cômputo global do tráfego da Internet. E nós a pensar que não, que agora o pessoal só queria era descarregar ficheiros directamente a partir do RapidShare ou do MegaUpload e visitar sites de streaming de áudio e vídeo. Pelos vistos, de acordo com a empresa de estudos de mercado MultiMedia Intelligence o verdadeiro cenário não é bem esse.

Segundo os dados de um estudo recente desta companhia divulgados pela Slyck, o P2P representa actualmente 44 por cento de todo o tráfego doméstico de Internet a nível global. Na América do Norte, essa percentagem é de 33,6 por cento. Mais ainda, a tecnologia de partilha de ficheiros deverá crescer 400 por cento ao longo dos próximos cinco anos. Em termos brutos, se o tráfego de P2P é de cerca de 1,6 Petabytes ao mês em 2012 deverá ser de quase 8 Petabytes mensais.

As estimativas da MultiMedia Intelligence traçam um cenário muito mais negro para os fornecedores de acesso à Internet do que outros estudos de tráfego de rede. Por exemplo, os dados preliminares da pesquisa anual da alemã Ipoque revelam uma clara tendência para um retrocesso do P2P para ese ano em comparação com um aumento do peso do streaming de vídeo através de sites como o YouTube e os downloads directos realizados a partir de sites de alojamento online. Outros fornecedores de tecnologias de gestão de tráfego de rede e ISPs têm publicado números que apontam nesse mesmo sentido

Mas agora a Multimedia Intelligence vem e diz que está toda a gente enganada e que o P2P continua imparável. Como se isso não fosse suficiente, os analistas da companhia chegam mesmo a prognosticar que o P2P legal deverá registar um ritmo de crescimento dez vezes superior ao do tráfego de P2P relativo a conteúdos protegidos por direitos de autor mas distribuídos sem a autorização dos respectivos titulares.

Posto isto, coloca-se a questão: deverá atribuir-se este suposto crescimento apenas à popularização das distribuições Linux e de outro software livre, bem como aos patches para jogos como o World of Warcraft e a algumas séries de televisão disponibilizadas por produtoras com uma mentalidade mais aberta ou há mais qualquer coisa aqui com que não estamos a contar?

Publicidade nos resultados de pesquisas: a receita para colocar o P2P a dar dinheiro?

O que acham da ideia de publicidade inserida nos resultados de busca de ficheiros em pesquisas realizadas a partir de aplicações P2P? Como o Janko Roettgers explica no GigaOM, apesar da ideia já ter alguns anos mas agora há uma nova empresa em campo chamada Brand Asset Digital que acaba de lançar uma rede de publicidade contextual chamada P2Pwords que pretende ser uma versão para o P2P do AdWords do Google. À primera vista, a comparação faz sentido se tivermos em conta que, como Jon Healey do Los Angeles Times refere, são feitas mais de 1,5 mil milhões de pesquisas diárias em redes P2P contra apenas 400 milhões de pesquisas diárias nos maiores motores de busca na Web contra. Mas será que essas pesquisas podem ser monetizadas?

Uma das primeiras companhias a inundar as redes de partilha de ficheiros com músicas de artistas para fins promocionais foi a empresa de anti-pirataria MediaDefender. Existem outras como a Jun Group, Hiro e Yume Networks. Contudo, as coisas neste mercado não devem estar a correr muito bem, tendo em conta o encerramento da Skyrider da semana passada - pelos vistos os cinco milhões de dólares em financiamentos recolhidos no início deste ano não foram suficientes para assegurar a viabilidade da companhia. No total, a empresa conseguiu angariar 25 milhões de dólares.

O modelo do P2Pwords proposto pela Brand Asset Digital não parece variar muito destes serviços. Sucintamente, a empresa limita-se a distribuir conteúdos patrocinados e financiados por publicidade em programas de partilha de ficheiros como o LimeWire e o eMule que podem ser encontrados entre os resultados quando o utilizador pesquisa por termos relacionados. Entre as marcas que participaram do beta privado do P2PWords contam-se a Glaceau (fabricante da água vitaminada Vitaminwater) que distribuiu um vídeo patrocinado do rapper 50 Cent. A percentagem de cliques foi de quatro por cento.  

Mas apesar destes sucessos iniciais, a monetização do P2P não é algo que “está logo ali ao virar da esquina” como alguns estudos fantasiosos prognosticam. A comunidade de utilizadores de P2P não suporta levar com anúncios intrusivos e saltitantes que se metem no meio do caminho. Para tal, basta comprovar o fracasso das empresas de P2P que encharcaram as suas aplicações com AdWare. Para além disso, se já existe um modelo de publicidade no P2P com relativo sucesso é o dos sites de BitTorrent como o Pirate Bay que a Brand Asset Digital e as suas concorrentes não conseguem atingir precisamente porque não os controlam. Aliás, quando a LimeWire lançar a sua própria rede de publicidade no seu programa aí é que o modelo de negócio deste tipo de companhias virá por água abaixo.

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Algumas respostas a “P2P legal deverá crescer a um ritmo vertiginoso” :

  1. [...] de ter revelado há semanas atrás que o P2P legal deverá crescer mais rapidamente do que o P2P ilegal - embora se preveja que esta [...]

    Comentário de P2P ilegal de música vale 69 mil milhões de dólares | Remixtures em 18 Nov 08 23:47.
  2. [...] o que a empresa norte-americana Brand Asset Digital tem vindo a fazer desde há alguns meses com o seu serviço P2Pwords: uma espécie de Adwords do Google mas direccionado para o P2P em vez da [...]

    Comentário de Recapitulando (II): P2P | Remixtures em 12 Dez 08 19:36.
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