Sony reconhece que DRM faz aumentar partilha ilegal de ficheiros Publicado 3 Out 08
Depois do fiasco do rootkit integrado em CDs de áudio da editora que impeda a reprodução de outros discos a partir dos computadores dos consumidores com Windows instalado, no início do ano a Sony BMG cedeu finalmente às evidências e começou a vender downloads de música sem DRM. Esta semana, a segunda maior companhia discográfica do mundo passou a ser totalmente controlada pela Sony.
No entanto, a divisão cinematográfica do conglomerado multimédia nipónico continua a vender filmes e série de televisão com DRM na esperança de impedir a cópia e partilha ilegal desses conteúdos. Mas será que isso faz realmente sentido? De acordo com o presidente da divisão europeia da Sony Pictures Television International, não.
Durante o Fórum Mundial da Banda Larga que terminou ontem em Bruxelas John McMahon admitiu que a DRM é uma das principais razões pelas quais as pessoas recorrem às redes de partilha de ficheiros em vez das alternativas legais. É claro que o que ele disse é verdade mas o problema é que a Sony é incapaz de confiar nos seus consumidores e continua a achar que eles são todos potenciais criminosos.
Algumas semanas antes das declarações de McMahon, a Sony apresentou em conjunto com outras empresas de tecnologia e audiovisuais um novo sistema de DRM chamado Digital Entertainment Content Ecosystem (DECE - Ecossistema de Conteúdos Digitais de Entretenimento) capaz de transferir ficheiros de áudio e vídeo protegidos para uma série de dispositivos compatíveis pertencentes ao “domínio pessoal do consumidor”.
Segundo a Reuters, esse novo formato de media dará também a possibilidade de fazer cópias dos conteúdos para CDs e DVDs. Para além disso, o DECE oferecerá também uma espécie de “cacifo virtual” centralizado onde os ficheiros serão alojados, de forma a evitar que os consumidores tenham que os descarregar. O consórcio de empresas por detrás do DECE inclui a Philips, Intel, Warner Bros, Paramount Pictures, NBC, Comcast, Hewlett Packard. Ausente desta lista está a Apple que tem o seu próprio sistema FairPlay.
O objectivo deste DECE é muito simples. Trata-se de criar uma DRM interoperável que seja não só melhor que o FairPlay mas também que o PlaysForSure da Microsoft e que o CSS utilizado para evitar a cópia dos DVDs. Este é no fundo o “Santo Graal” dos grandes produtores de conteúdos. Mas a verdade é que até hoje ninguém conseguiu desenvolver uma tecnologia de protecção anti-cópia de conteúdos audiovisuais 100 por cento à prova de bala. Haverá sempre um hacker demasiado curioso que acabará por derrubar estas protecções anunciadas como “imbatíveis”.
Apesar de não o admitir, o presidente da Sony Pictures Television sabe que esta é a verdade e é por isso que apelou aos fornecedores de acesso à Internet que cooperassem mais com os detentores de direitos no sentido de reduzir a “pirataria” online. De acordo com os seus dados (oriundos sabe-se lá daonde…), a indústria de entretenimento está a perder mais de dois mil milhões de dólares ao ano devido à “pirataria” mas que McMahon acredita que a colaboração dos ISPs poderá ajudar a reduzir fortemente este número. Deduzo que este número dos dois mil milhões foi calculado partindo do princípio de que quem copia ficheiros da Internet compraria o original caso não tivesse acesso à cópia. Argumento falacioso!
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC 2.0 e foi tirada por rich115.
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Parece que estou a ver porcos a voarem…
Tou admirado, principalmente vindo da Sony.
Qualquer tipo de DRM é negativo. Mesmo que lhe permita usar os conteúdos em vários dispositivos (que provavelmente terão que ser “compatíveis” e de certa forma, voltaremos ao mesmo).
Comentário de Sérgio Dinis Lopes em 3 Out 08 18:42.O que se deseja é liberdade. Liberdade para fazer o que desejar com o conteúdo que adquiri legalmente. DRM não me permite isso (ao que me parece o DECE também não), daí que a qualidade de serviço de se sacar uma música da net, além de gratuita, é melhor. Era isso que a Sony e todos os distribuidores de conteúdos deveriam entender.
Enfim.