
A missão da EMI deixou definitivamente de ser vender mais discos e downloads digitais para passar a consistir na aproximação entre o artista e o fãs, através do desenvolvimento de novas plataformas de marketing online no intuito de recolher informação pormenorizada sobre os hábitos de consumo musicais dos fãs – concertos, bandas e estilos musicais preferidos, etc. Quem o assegura é Douglas Merrill, o actual presidente da unidade digital da quarta maior editora discográfica do mundo que em Abril deste ano foi “caçado” ao Google – onde ocupava o cargo de vice-presidente da divisão de engenharia – por Guy Hands.
O primeiro sinal público dado nesse sentido será revelado muito provavelmente ainda antes do final do ano, quando a etiqueta lançar finalmente o anunciado portal direccionado para o consumidor. Para tal, a empresa pretende ajudar também os fãs a descobrirem música de qualidade de forma a “criar valor” para ambas as partes. Mas por agora o que Merrill refere numa entrevista à Billboard é sem dúvida um bocado abstracto e vago.
Na entrevista realizada em conjunto com o seu patrão Elio Leoni-Sceti – o “homem das limpezas” que ocupa desde o início de Outubro o cargo de director executivo da EMI – e Nick Gatfield – presidente de A&R -, Merrill desdramatizou ainda a decisão tomada pela editora em Maio do ano passado, quando foi a primeira das quatro majors a aderir à venda de música sem DRM, precisamente no iTunes Plus da Apple.
De acordo com os seus dados, a venda de música sem tecnologia de protecção anti-cópia não prejudicou em nada as vendas, antes pelo contrário: “Foi bom para os consumidores, é bom para os artistas. Faz com que as pessoas se sintam mais próximas da arte de uma forma completamente nova através da remoção de regras artificiais do tipo ‘Nós não confiamos em vocês e por isso não vos vamos dar este conteúdos.’” Na sua opinião, uma mentalidade desse tipo transmite a mensagem errada para os clientes.
Quanto à pirataria, Merrill negligenciou quaisquer impactos no aumento dos ficheiros partilhados em redes P2P: “A melhor forma de obter uma cópia pirata não deve passar por comprá-la no iTunes. Não notámos quaisquer efeitos [a nível da pirataria].” Indo mais longe, o antigo geek do Google acredita que a DRM não acrescenta qualquer valor para uma editora.
Mas será que esta mentalidade mais aberta e participativa da nova direcção da EMI poderá alagar-se ao resto da estrutura pesada, hierarquizada e centralizada da editora? Tenho as minhas dúvidas. De qualquer maneira, esta semana tivemos oportunidade de presenciar mais uma vez a nova face mais marketeira e sedutora e menos industrial e beligerante da editora com a contratação de Rafael McDonnell para o cargo de vice-presidente para parcerias com marcas, licenciamento e sincronização no Reino Unido e Irlanda. Anteriormente, McDonnell esteve na Coca-Cola onde ajudou a fundar o serviço de música online MyCokeMusic. Decididamente, a EMI parece ter aprendido a lição que a partir de agora o dinheiro virá mais de parcerias de marca, sinergias e promoções conjuntas do que das vendas de álbuns e músicas à unidade.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-SA 2.0 e pertence a Peter Barr-Watson.
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