
Pelos vistos, ainda existem muitos saudosistas do antigo modelo dominante da indústria discográfica em que as pessoas eram obrigadas a pagar o preço de um álbum inteiro apenas para poderem ouvir duas a três músicas de jeito. O mais surpreendente é que esta posição venha da parte de alguém como Peter Jenner, antigo empresário dos Pink Floyd e de Syd Barrett, que defende que os direitos de autor precisam urgentemente de uma reforma.
Numa conferência organizada esta semana em Londres pela associação Music Tank, Jenner – que foi também responsável pelas carreiras de Marc Bolan, The Clash, Ian Dury e actualmente Billy Bragg – teceu duras críticas ao iTunes, Segundo ele, como se pode ler na Music Week, ao permitir a venda individual de singles em separado dos álbuns, a loja de música online da Apple teve efeitos desastrosos para a indústria discográfica: “Converteu um produto que valia dez libras, o álbum, num produtos que vale actualmente 1,60 libras, o preço dos dois singles que vale a pena comprar.”
Da mesma opinião também parece ter sido Simon Wheeler, director da divisão digital da editora independente Beggars Group: “Para bem ou paral mal, o iTunes fixou uma tarifa para os downloads individuais que retirou poder aos detentores de direitos.” Ou seja, segundo Jenner e Wheeler teria sido bem melhor se os consumidores tivessem coninuado a ser obrigados a gastar montes de dinheiro por material que não tem qualidade. Tudo para benefício de executivos, empresários e advogados de estrelas Rock e grandes editoras discográficas, que assim teriam conseguido manter o seu estilo de vida faustoso.
O que eles se esqueçem é que se não fosse a Apple e o iTunes, a indústria dscográfica teria ainda perdido mais dinheiro do que perdeu graças às alternativas grátis facilmente acessíveis através de redes de partilha de ficheiros. Mas na verdade, a posição de Peter Jenner também não é muito de admirar, se tivermos em conta que o modelo que ele advoga para resolver o problema da ‘pirataria’ é uma espécie de um imposto universal a cobrar a todos os utilizadores da Internet dando em troca o direito de descarregarem todas as músicas que quisessem por mês.
Segundo este esquema, todos os detentores de direitos (editoras discográficas, publishers, compositores, músicos, empresários) seriam obrigados a participar no serviço. É claro que isto oferece grandes vantagens para as editoras discográficas independentes em comparação com os clubes privados formados entre as majors e algumas empresas (veja-se o caso do Datz Music Lounge), uma vez que têm também direito a receber uma parte do bolo total das receitas geradas. Mas em compensação, o incentivo na criação de novo serviços de música online diminuiria drasticamente, como refere Andrew Orlowski no The Register. Por outro lado, a indústria discográfica deixaria de ter tanto interesse em apostar em novos artistas porque sabia de antemão que já tinha o retorno do seu investimento. Bastava limitar-se a viver dos fundos de catálogo.
Nesse sentido, parece-me que o modelo advogado por Paul Sanders, fundador da empresa PlayLouder sobre a qual eu já falei aqui e aqui, faz mais sentido na medida em que se baseia num sistema de P2P voluntário e opcional.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC 2.0 e pertence a johann paul keller
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atenção a uma coisa. em muitos casos, no antigamente, um álbum era uma obra completa uma unidade criativa, se assim lhe quisermos chamar. nem todos eram uma sucessão de buchas com dois “hits”. Se olharmos para alguns álbuns dos Pink Floyd como por exemplo o “Atom Heart Mother”, só tinham 5 faixas. E atenção que nem estou a falar de coisas como “concept albums”.
Se por um lado se ganha nessa tal maneira de consumir só o que se quer, por outro lado perde-se a capacidade de gerar obras com a consistência de um álbum. As coisas não são assim tão “o álbum era uma armadilha para fazer a malta gastar dinheiro” nem o facto de agora se lançarem músicas a vulso é uma benção sem mácula.
Abraço
Eu concordo plenamente com o Mr. Steed.
E subcsrevo o que ele disse: "já para não falar de albuns conceptuais"…
No caso do "Atom Heart Mother" sao 5 faixas e no caso do "Animals" e "Wish You Were Here" também, assim como no caso do "Meddle" são 6. E para quem não sabe são albúns que têm todos mais que 40 minutos de música e já agora também fiquem a saer que se mais não têm é porque o vinil assim não o permitia, pois o Meddle tem uma música que ocupava toda a seguna parte de um Vinil. Agora é obvio que para quem faz um albúm com um single esta história do Itunes é muitíssimo boa. Mas eu nunca compraria um albúm apenas por causa de uma música!!! Tenho montes de albúns originais em casa e em todos eles gosto no mínimo de 80% do conteudo! e quando tal não aocntece costumo dizer que fiz um mau negócio!!
Daí que cada um puxa a brasa à sua sardinha, mas o assunto tem bastante que se lhe diga…
Abraço