
O feitiço começa-se a virar contra o feiticeiro: à medida que a China se torna economicamente mais forte ao mesmo tempo que a economia americana se deixa atrasar, o número de empresas chinesas a processarem grandes marcas dos EUA tende a aumentar.
De acordo com o Jornal People’s Daily China (via Distorted Loop) dois cidadãos chineses instauraram esta terça-feira, dia 11, no Tribunal Intermediário do Povo de Wuahn processos contra três companhias, de entre as quais se inclui a Apple. Segundo eles, o iPod foi lançado em violação da sua patente.
Após ter recebido os processos, o tribunal decidiu abrir uma sessão pública dedicada ao caso logo no mesmo dia. Os dois senhores chamam-se Cai Yaohua e Chen Shaohua e residem ambos em Beijing. O pedido de patente foi originalmente apresentado em 1996, tendo esta lhe sido concedida em 2002. A patente – que ainda continua válida – diz respeito a um tipo de servidores áudio inteligentes.
Na sua opinião, a sua patente abrange outros tipos de produtos modernos como os leitores de MP3 e MP4. Para além da Apple, também a filial local Apple Computer Trading de Xangai e a Wuhan COODOO Trading Company são visadas nestes processos.
Mas este caso de violação de propriedade intelectual instaurado por chineses contra grandes empresas de tecnologia norte-americanas não é isolado. Também nesta semana, a Microsoft foi processada por uma empresa de Internet chinesa, a E-commerce Info Tech Company. Segundo Wang Jianbo, o presidente da companhia, a tecnologia de RSS que a gigante de Redmond integrou no Windows Vista viola uma patente de serviços de RSS solicitada em 2005 e concedida em Dezembro de 2007.
Independentemente de quem foi o inventor de cada uma das tecnologias (o mais provável é que não seja nenhuma das partes), estes processos são de facto sinais claros e evidentes de que algo está a mudar no quadro internacional da propriedade intelectual, como explica Glynn Moody:
No século XIX, a América era sinónimo de pirataria das ideias britânicas. No século XX, à medida que a sua indústria se desenvolveu, ela abraçou os monopólios intelectuais e tornou-se a defensora mais fervorosa dos regimes maximalistas legais.
No século XX, a China era sinónimo de pirataria das ideias americanas. No século XXI, à medida que a sua indústria se ia desenvolvendo, ela abraçou os monopólios intelectuais e tornou-se o seu defensor mais acérrimo.
Moody prevê que isto é apenas o início e que dentro em breve a América será inundada por processos deste tipo à medida que o poder industrial da China se for aproximando da dianteira do globo. Isto irá levar a América a converter-se num dos países mais adeptos de regimes mais flexíveis e liberais de propriedade intelectual do mundo. E sabem que mais? Eu também concordo. As empresas chinesas estão rapidamente a chegar ao primeiro plano em todo o mundo. Por agora, só cá chegam os imigrantes das “lojas dos 300″ mas dentro de poucos anos as grandes companhias chinesas vão se espalhar por todos os cantos do mundo.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC 2.0 e pertence a fatcontroller.
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