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Downloads ilegais de música são coisa de adolescentes e early-adopters Publicado 20 Nov 08

Muito mais interessante e relevante do que a retórica incrivelmente abstracta e as visões proféticas de como será o futuro da música online são os inquéritos realizados junto de amostra razoavelmente significativas que nos indicam pistas concretas em relação ao modo como os fãs de música acedem à música, onde a ouvem e como a ouvem.

São estudos como estes que nos permitem “baixar à Terra” e verificar o quanto a maioria da população continua arreigada aos velhos media e suportes físicos tradicionais como a rádio e os CDs. Não obstante os milhões investidos em startups de “Música 2.0″ que muitas vezes são gastos inutilmente porque as pessoas pura e simplesmente não estão interessadas em descobrir activamente música nova, coisa que que muitos futurólogos e analistas se esquecem.

Um desses estudos, o Convergence Consumer Study 2008 foi divulgado esta semana pela firma de advogados britânica Olswang (via Coolfer). Realizado em conjunto com a agência de análise de mercado YouGov, trata-se da quarta edição anual deste relatório sobre os hábitos de consumo de media e entretenimento e baseia-se num inquérito junto de 1162 consumidores britânicos, incluindo 235 adolescentes com idades compreendidas entre os 13 e os 15 anos e 927 adultos, bem como numa série de focus groups online

É claro que a pesquisa identifica um segmento de consumidores que não sentem qualquer hesitação em dizer que recorrem à ‘pirataria’ e às alternativas ilegais uma vez que nenhum dos serviços legais podem competir a nível de rapidez de acesso, diversidade e qualidade dos conteúdos e - claro está! - preço. Só que esses, os que admitiram descarregar ou fazer streaming de música de um modo ilegal, que pertencem sobretudo ao grupo dos adolescentes e da “Tech Vanguard“, constituem apenas 10 por cento da amostra, uma percentagem que é mesmo inferior aos 14 por cento de inquiridos que responderam que adquirem downloads legais pelo menos uma vez por semana.

Embora seja natural que muitos dos inquiridos tenham optado por mentir em lugar de admitir  - ainda que a coberto do anonimato - que costumam praticar um acto ilegal, estas percentagens pintam um retrato mais analógico do que quem está por dentro da música online parte do princípio que é aquele que é predominante. As razões indicadas pelos inquiridos para não efectuarem downloads ilegais são basicamente três: acham que está errado (39%) - embora lamentavelmente não lhes tenham perguntado porquê -, receiam ser apanhados (21%) ou consideram que a qualidade não é suficientemente boa (15% - deixem-me rir :-)).

Na verdade, a grande maioria dos inquiridos ouvem música com mais frequência através da rádio AM/FM (62%), em CDs adquiridos nas lojas (54%). Só depois é que surgem as músicas gravadas de CDs de amigos e familiares para o PC. Mais abaixo, 28 por cento costumam ouvir downloads de música e 26 por cento têm por hábito fazer streaming de música para o PC. Por último, 15 por cento costumam fazer streaming de faixas para outros dispositivos.

Mesmo assim, é bom saber que os miúdos já começam a usar o YouTube em lugar da rádio para descobrir música nova. Mas o que é mais curioso é que, contrariando a intenção das editoras que pretendem transformar o site de partilha de vídeo numa galinha de ovos de ouro através da publicidade, muitos dos membros dos focus groups confessarem que usam aplicações ilegais para gravar o som do vídeo e convertê-lo para MP3.

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