Extravagância 2.0: Francis and the Lights, a banda-empresa que vale 1 milhão de $

by Miguel Caetano on 4 de Novembro de 2008

Quando Jacob Lodwick, fundador do site de partilha de vídeos Vimeo, anunciou no início de Fevereiro que estava a planear abrir um “inovador” serviço de música online de modo a “oferecer formas alternativas e muito mais eficientes de promover música do que a via tradicional das editoras discográficas”, não pensava que fosse algo tão descabido como isto.

Isto neste caso é o que acontece quando a indústria da música se deixa contaminar pelo mundo das transacções bolsistas altamente especulativas que não têm qualquer valor concreto. Uma banda nova-iorquina chamada Francis and the Lights decidiu registar-se como empresa e à boa maneira das startups californianas de Silicon Valley recebeu um investimento inicial no valor de 100 mil dólares da Normative Music Company, a “editora” de Lodwick.

A partir daqui, Lodwick avaliou a nova “empresa” Francis and the Lights, LLC. num montante de um milhão de dólares. Ora, pura e simplesmente, isto não passa de uma grande treta, uma vez que este montante não tem qualquer relação com as receitas geradas pela banda, limitando-se a ser uma estimativa exagerada do potencial valor que um grupo independente desta dimensão é capaz de gerar. Na verdade, o único ponto alto da carreira dos Francis and the Lights foi o facto de terem tocado na primeira parte de um concerto dos MGMT em Brooklin!

Postas as coisas desta forma, não existe nenhuma diferença substancial entre este “modelo de negócio” e os das empresas da era da febre das dotcoms no final dos anos 90 e início desta década que eram avaliadas em montantes extravagantes e que pouco tempo depois acabaram por falir ou foram adquiridas por outros peixes graúdos, como refere o Idolator. Aliás, todo o comunicado da Normative está repleto de palavreado barato ao estilo anarco-liberal muito em voga no mundo da Web 2.0 e que tem nos romances e ensaios de Ayn Rand a sua inspiração:

Quando ouvimos a palavra ‘música independente’, devemos lembrar-nos que ela remete para uma promessa ocultada com o passar dos anos, a ideia de integridade artística total. Em 2008, este tipo de música não pode já coexistir com os caprichos de uma indústria em declínio, nem com a rejeição automática de tudo o que seja ‘empresarial’. A liberdade artística requer uma compreensão por parte do artista de que o mundo dos negócios é vantajoso – porque a música o exige, porque a vida requer música e porque a vida é boa.

Normativo, a palavra do dicionário, refere-se ao modo como as coisas devisam ser – o que seria normal num mundo ideal. Normative, a empresa, aplica este conceito à indústria da música. A nossa principal preocupação é a visão, que começa como uma faísca na mente do músico e deve ser absolutamente concretizada, independentemente do custo. Nós acreditamos que a arte deve existir sem compromissos; se é comprometida, deixa de poder ser considerada como arte.

Isto só rindo!! O mais hilariante é que Lodwick não é o primeiro a ter a ideia de criar uma espécie de fundo de investimento para bandas Pop e Rock. Em Março escrevi aqui a respeito da britânica Power Amp, uma companhia que visa apoiar não só artistas estabelecidos com a descobrir novos talentos. Cada investidor pode apostar um valor mínimo de 10 mil libras.

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Fundador do Muxtape revela nova versão do site | Remixtures
14 de Novembro de 2008 ás 11:41

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