Highnote - o ‘Jabá’ já chegou à música online Publicado 19 Nov 08

O termo ‘jabá’ dever ser porventura estranho à maioria dos leitores portugueses. Mas os fãs de música brasileiros de certeza que conhecem o que é que quer dizer. Trata-se da adaptação para português do Brasil da palavra payola que se refere a um tipo de suborno muito comum nos anos 50 que era pago pelas grandes editoras discográficas aos DJs e locutores de rádios comerciais nos Estados Unidos.
Desde então, o termo tem sido utilizado para descrever todo o tipo de acordos secretos celebrados por empresas com órgãos de comunicação social para promover uma série de produtos através de críticas positivas. Apesar do número de condenações ocorridas nos Estados Unidos envolvendo estações de rádio ser desde há alguns anos a esta parte bastante diminuto, a prática não só se estendeu para outros países como o Brasil como também adquiriu contornos mais complexos e menos descarados, através do recurso a “promotoras independentes” que pagam a estações de rádio para promoverem determinadas músicas, funcionando como intermediárias entre as editoras e as rádios.
Para saberem mais sobre a história deste tipo de suborno muito especial aconselho a leitura deste artigo do Slashdot. O que é facto é que esta prática detestável continua a fazer-se sentir nas ondas do éter dos Estados Unidos, beneficiando assim o já de si bastante grande oligopólio das quatro grandes editoras em detrimento das pequenas editoras independentes. Esta é pelo menos a opinião de 41,5 por cento dos responsáveis por etiquetas indie, de acordo com um inquérito da Associação de Música Independente (A2IM) e da Coligação para o Futuro da Música (FMC) divulgado há cerca de um mês atrás.
Se até agora os serviços de música online estavam felizmente isentos destas tramóias pouco ou nada claras, com as dificuldades de algumas rádios online de pagarem as licenças de streaming que as editoras exigem, começou-se a colocar outra vez a possibilidade de essas empresas recorrerem a este estratagema para salvarem a sua pele. Este foi, aliás, o conselho dado por Doug Perlson, director executivo da agência de publicidade para rádios online TargetSpot, num artigo de opinião publicado no início de Setembro no Silicon Alley Insider. Perlson dirigia-se especificamente ao serviço de rádios personalizadas Pandora - que continua inacessível fora dos EUA - que já ameaçou várias vezes fechar as portas por lhe ser impossível pagar os royalties.
Mas o que é facto é que até agora todos os serviços da Música 2.0 continuam a recorrer exclusivamente a anúncios áudio no meio das canções. No entanto, recentemente tive conhecimento através da Billboard de uma empresa sediada em Nashville (Tennessee) chamada Highnote cujo modelo de negócio consiste em disponibilizar o streaming gratuito de música aos utilizadores a partir de rádios temáticas, sem qualquer tipo de publicidade mas recorrendo a um sistema de posicionamento pago de músicas semelhante ao serviço AdWords do Google: a editora ou o artista que queira ver as suas músicas serem tocadas imediatamente antes ou depois de temas de artistas conhecidos paga uma determinada quantia que depende do número de vezes que os utilizadores ouvirem as músicas.
Aliás, as parecenças com o Google não acabam por aqui uma vez que o fundador da empresa, Jim Payne, é um ex-gestor de produto da empresa de Internet. Em declarações ao The Note, Payne revelou que nos planos da empresa está a implementação de um motor de recomendação no seu próprio site, bem como o licenciamento da sua tecnologia para outros serviços de rádio online.
Como é natural nestes serviços da Música 2.0 que têm sempre uma visão demasiado “rosada” da realidade económica, o fundador da empresa prevê que o serviço será capaz de assegurar 920 milhões de dólares (735 milhões de euros) de receita anual daqui a cinco anos. Muito divertidos, estes senhores da Web 2.0. O que é certo é que por agora Payne ainda não conseguiu obter os 2,5 milhões de dólares (dois milhões de euros) necessários para licenciar uma quantidade suficiente de músicas de modo a lançar oficialmente o serviço. E se o modelo tiver êxito? O que acham deste tipo de música patrocinada?
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC 2.0 e pertence a Quasimondo.
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Eu acho que isso só mostra a falta de criatividade desses chamados empreendedores. O que está faltando ao mercado de música é um modelo de negócios que mostre que é possível se viver de música sem monopolizar o mercado e sem precisar pagar para ser escutado. O artista tem que se libertar desse tipo de ação danosa. Esse tipo de ação só é boa para uma minoria…
Comentário de Gerson em 20 Nov 08 15:50.