
Só agora passado mais de um ano e meio sobre o processo instaurado contra o YouTube é que a Viacom se deu finalmente conta da grande burrada que fez. Em vez de tentar chegar a um acordo com a subsidiária do Google, o conglomerado norte-americano optou por exigir uma indemnização de mil milhões de dólares devido à disponibilização de clips não autorizados de programas televisivos como The Daily Show e The Colbert Report por parte de utilizadores.
Mas como a Viacom é demasiado orgulhosa para “meter o rabinho entre as pernas”, a companhia optou por se virar agora para o MySpace numa tentativa de último recurso para recuperar parte dos dólares perdidos no sector do vídeo online. Com efeito, os bons resultados preliminares do sistema Content ID (ex-Video ID) de identificação de conteúdos do YouTube que permite que os detentores de direitos optem por remover vídeos ilegais ou inserir anúncios deve ter feito a companhia de televisão mudar de ideias.
Vai daí a MTV, uma subsidiária da Viacom, decidiu estabelecer uma parceria com a rede social da News Corp. que – como podem adivinhar – visa fazer exactamente o mesmo, isto é, monetizar o mercado do vídeo online, de acordo com uma notícia publicada ontem pelo Los Angeles Times. O negócio assenta no recurso a uma tecnologia de “impressão digital” da startup californiana Auditude e abrange exactamente os mesmos programas que motivaram a Viacom a processar a YouTube.
A grande diferença em relação ao sistema empregue pela YouTube ou mesmo ao da Audible Magic até agora empregue pelo MySpace é que o software da Auditude funciona de uma forma automática, não tendo os detentores de direitos necessidade de entregar uma lista com todos os programas que pretendem monitorizar. Segundo a Auditude, a sua base de dados inclui mais de mil milhões de minutos de conteúdos profissionais representando cerca de 250 milhões de vídeos e o equivalente a quatro anos de programação de 100 canais de televisão.
Quando o sistema identifica um vídeo disponibilizado por um utilizador que corresponde a um conteúdo identificado, ele sobrepõe anúncios em suporte vídeo por cima dos clips, mencionando a fonte e a data original de emissão e incluindo links para adquirir o episódio completo oficial ou conteúdos associados.
Quando interrogado em relação à assinatura deste acordo com o MySpace ao mesmo tempo que o processo contra a YouTube continua a decorrer, Mika Salmi, presidente de media digitais da MTV, dá uma resposta da tanga:
O MySpace sempre respeitou os direitos de autor e, na nossa opinião, é mais progressista em relação aos direitos de autor. A forma como estamos a apoiar esta parceria com a Auditude e o MySpace é diferente do que nos foi proposto pela YouTube.
Não sei porquê, mas parece-me que o MySpace se tornou a plataforma online preferida dos grandes produtores de conteúdos. Veja-se o caso das majors da indústria discográfica que tiveram a ousadia de estabelecer uma joint-venture com a rede social da News Corp. só para oferecer streaming grátis de música. Será que o MySpace tem mel?
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a Sasha Nilov.
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