O Remixtures vai voltar!

by Miguel Caetano on Novembro 26, 2008

Neste momento, encontro-me a escrever este artigo num ciberquiosque público onde apenas disponho de acesso à Internet durante uma hora. Desde sexta-feira passada que estou sem o meu computador portátil, um HP Pavillion DV6559ea. O disco rígido avariou-se e, como o notebook ainda se encontrava dentro da garantia, enviei-o via UPS para o centro de assistência técnica da HP em Campanillas, Espanha. Como o meu computador de secretária, um Mac Mini PowerPC G4, também precisa de ser arranjado – necessita de memória nova – e a reparação e reinstalação do sistema operativo custa 214 euros – dinheiro esse que eu não disponho -, vejo-me impossibilitado de actualizar neste blog nos próximos dias/semanas.

A verdade é que este período de interregno serviu para fazer um balanço do modelo de funcionamento do Remixtures desde a sua criação nos primeiros dias de Outubro de 2006 até hoje. E cheguei à conclusão que algumas coisas devem forçosamente mudar a partir daqui.

Desde o início que tenho defendido nestas páginas que os músicos e os artistas devem oferecer gratuitamente as suas músicas na Internet de forma a promover o seu trabalho e a servir de publicidade a outros produtos complementares como bilhetes para concertos, camisolas, bonés, canecas, edições exclusivas e limitadas dos seus discos, etc.

Creio que esse modelo de conteúdos freemium faz também perfeitamente sentido para outros criativos e trabalhadores intelectuais como escritores, jornalistas, bloggers e outras pessoas que tentam ganhar a sua vida com aquilo que fazem melhor: escrever. Aliás, tanto é assim que bloggers famosos como Chris Anderson conseguem cobrar milhares de dólares em conferências e cursos a executivos de grandes empresas apenas para lhes explicar como devem aplicar o modelo freemium, o que não deixa de ser bastante irónico.  

Ora, é precisamente uma série de pacotes freemium que eu estou disposto a comercializar a todos os jornais, revistas, sites de Internet, universidades, ONGs, PMEs e multinacionais que estejam interessadas em obter informação mais aprofundada sobre um determinado aspecto do mercado da música e do entretenimento digital em geral (vídeo, televisão, media e edição de livros) e quais as transformações mais recentes que estão a acontecer neste campo.

Creio que as grandes empresas poderão estar particularmente interessadas neste leque de serviços. Modestamente, posso dizer com sinceridade que há poucas pessoas no globo que estão por dentro deste sector como eu. Acredito sinceramente que a minha ajuda poderá ser preciosa para as operadoras de telecomunicações evitarem cometer “burrices” como lançar um serviço de aluguer de música com DRM promovendo-o como se se tratassem de MP3s desprotegidos. “Burrices” como essas acabam por custar umas boas centenas de milhar ou mesmo milhões de euros. A era de vender gato por lebre acabou-se. O P2P está apenas a um clique de distância. É preciso falar verdade ao nosso público-alvo, ser transparente, respirar sinceridade e ser aberto.  

Mas os conteúdos de qualidade devem ser pagos por alguém de alguma forma. Desde o início que tenho tentado que os conteúdos do Remixtures sejam de uma qualidade ímpar ao nível português. Para constatá-lo, basta ler os milhares de artigos originais que aqui publiquei ao longo dos últimos dois anos, sem a ajuda de ninguém – excepto alguns fiéis leitores -, sem o apoio de uma universidade ou de um grande grupo editorial. Quero que o Remixtures se mantenha assim, independente e livre. Mas para assegurar a sustentabilidade financeira de um blog escrito em nome individual em Portugal, as receitas publicitárias pura e simplesmente não chegam. É preciso procurar novas fontes de receitas.

Como acredito no potencial de crescimento do mercado online lusófono e tenho plena consciência das minhas capacidades e qualidades enquanto escritor/blogger/autor, decidi lançar este desafio. Num artigo posterior, pretendo desenvolver mais em pormenor alguns dos pontos abordados aqui. Nomeadamente, como pretendo implementar este modelo freemium.

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