
Em Setembro passado, Jean-Bernard Lévy, o patrão da Vivendi, a empresa-mãe da Universal Music, previu que a indústria discográfica estava prestes a dar a volta por cima depois de um longo ciclo de revezes. Se essa previsão pode ainda não se ter confirmado para a maioria das editoras discográficas – incluindo algumas das grandes como a EMI – que continuam a queixar-se da descida das vendas físicas e do lento crescimento do sector digital, o que é facto é que os resultados financeiros daquele conglomerado multimédia francês relativos ao terceiro trimestre fiscal deste ano demonstram que a estratégia da UMG tem vindo a dar resultado.
O crescimento registado ao longo desse período resulta em grande parte na decisão da maior discográfica do mundo em adquirir em 2007 a BMG Music Publishing e a Sanctuary Records, companhias posicionadas em diversos sectores-chave do negócio da música como a edição de música e o merchandising. A acrescentar a estes investimentos, existe ainda os inúmeros acordos de licenciamento com serviços de streaming de música (Imeem, MySpace Music e Deezer), subscrições de aluguer de música com DRM (Nokia Comes With Music e SFR), a parceria para a venda de pacotes de música nos computadores da Dell e a criação de um novo site de clips musicais na França.
Com tamanha diversificação, não admira que as receitas da Universal Music tenham crescido 3,5 por cento a uma taxa de câmbio constante durante os nove primeiros meses de 2008, situando-se agora nos 3,142 mil milhões de euros. Contudo, se calcularmos a evolução tendo em conta o câmbio real, damos de caras com uma descida de 3,8 por cento.
Quanto à receita registada no terceiro trimestre do ano o balanço final também depende do ângulo de análise: se calcularmos com base na taxa de câmbio constante, verificamos uma subida de 1,1 por cento; mas se utilizarmos como base o preço real do dinheiro, registamos uma queda de 6,2 por cento.
No que diz respeito à margem bruta (EBITA – lucros antes da dedução de impostos, juros e amortizações), a subida foi de 21,8 por cento durante os primeiros nove meses deste ano para os 408 milhões de dólares. De acordo com os responsáveis da Universal Music, apesar desta subida os lucros ficaram mesmo aquém do esperado devido às despesas de reestruturação.
Mas a cereja em cima do bolo foi a subida de 33 por cento registada nas vendas digitais – aumento esse que mais do que compensou a descida das vendas físicas. Ficamos é sem saber qual foi a dimensão dessa descida. E mesmo assim, em 2007 as receitas digitais tinham já subido 47 por cento pelo que parece que os downloads digitais vendidos à unidade estão a começar a abrandar.De qualquer forma, quem pensa que a Universal Music está condenada a desaparecer ou mesmo a reduzir de dimensão está bastante enganado. Pelo contrário, muda-se o suporte mas o lema que rege o funcionamento do mercado da música é o mesmo: the rich get richer…
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