
Os discos de vinil podem não representar uma grande fonte de receitas para a indústria musical mas o que é facto é que eles continuam a ter um charme irresistível junto de um certo nicho de mercado: aqueles que gostam de música a ponto de desejarem possuir um objecto físico que materialize para todo o sempre a sua relação com o álbum em questão. Muito mais do que os CDs e sem dúvida nenhuma os ficheiros de música digital – mesmo os formatos com uma elevada qualidade como os MP3s de 320 Kbps e FLACs – as grandes rodelas pretas oferecem a garantia de permanência e resistência dos dados.
Num ensaio recente, o blogger Dave Allen parte do lema “O meio é a mensagem” de Marshall McLuhan para tecer algumas ideias a propósito da importância do vinil na música: “Se a música é a mensagem, então segundo os termos de McLuhan o disco de vinil pode ser descrito como a extensão tecnológica [o meio] do corpo dos músicos. O meio cria então o ambiente que produz efeitos [os meios].” Ele acredita que os discos de vinil são a corporização mais pura do nosso amor universal pela música, sendo por isso a experiência mais próxima possível de assistir a um concerto ao vivo.
Sendo o vinil um suporte muito mais dispendioso – e portanto mais “precioso” – do que os CDs convencionais, muitos retalhistas e editoras têm tentado explorar este filão através da reedição de fundos de catálogo e compensando os que continuam fiéis às rodelas negras com a oferta de downloads de MP3 na compra da edição em vinil de um álbum. Até mesmo as majors já começaram a recorrer a este truque. Veja-se o caso da Universal Music que em Setembro passado lançou a iniciativa Back to Black que prevê a reedição de mais de 130 álbuns no formato LP de 33 rotações de 180 gramas. Quem comprar cada um destes discos têm direito a um código de download para descarregar a versão digital dos temas.

Esta é também a estratégia seguida pela retalhista de música norte-americana InSound que desde há 18 meses a esta parte tem vindo a oferecer downloads de MP3 na compra de álbuns de algumas editoras independentes. Segundo a Billboard, até agora a empresa conseguiu obter autorização para disponibilizar cerca de 500 títulos no âmbito deste programa.
Graças a parcerias com indies famosas como Sub Pop e Matador, a InSound já oferece pacotee vinil+MP3 dos catálogos completos de Iron & Wine, The Shins, Wolf Parade e de alguns títulos de Mogwai, The Postal Service, Band of Horses, Fleet Foxes e Flight Of The Conchords. O resultado foi um crescimento das vendas de vinil para quase o dobro, tanto a nível do mercado interno como externo. Como refere Matt Wishnow, co-fundador da InSound:
Temos exactamente as mesmas margens brutas e a mesma política de preços no vinil e nos CDs. Contudo, existe uma grande diferença que é a elasticidade da margem. Raramente praticamos descontos nos discos de vinil porque os consumidores consideram que o vinil vale o preço de venda que é sugerido.

Outro modelo de negócio diferente mas que também tira partido do actual revivalismo em torno do vinil é o da Vinyl Collective Cooperative, um projecto que visa a impressão de álbuns que nunca foram editados em vinil. Como Virgil Dickerson, o patrão da Suburban Home Records – a editora responsável por esta iniciativa -, referiu ao Hypebot, a cooperativa integra actualmente 220 pessoas espalhadas pelo mundo que indicam e votam nos álbuns que querem ver no formato das grandes rodelas negras. Os participantes recebem uma cópia gratuita da edição limitada da impressão. Por seu lado, a banda e a editora que licenciou o álbum recebem também cópias. As que sobrarem são vendidas. Todos os lucros são reinvestidos na edição de futuros lançamentos. Apesar de até agora apenas terem sido editados dois discos, a tendência é para que projectos deste tipo floresçam um pouco por todo o lado nos próximos anos.
Nota: as imagens que acompanham este artigo estão disponíveis aqui e aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertencem a Stuart R Brown e a TuTuWon. A terceira imagem é retirada daqui.
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