EXTRA: As que ficaram de fora

by Miguel Caetano on Dezembro 16, 2008

Na terceira parte da minha recapitulação dos temas que marcaram a actualidade da indústria musical enquanto estive “fora”, não pude acrescentar alguns acontecimentos talvez menos importantes mas mesmo assim dignos de referência:

  • YouTube convida músicos a tocarem em concerto de música clássica no Carnegie Hall

    Carnegie Hall

    Quem sempre sonhou tocar na mítica sala de concertos de Nova Iorque pode agora tentar concretizar o seu sonho graças à YouTube Symphony Orchestra, uma iniciativa da Google que irá permitir com que 100 artistas oriundos de todos os cantos do mundo integrem uma orquestra  com vista a dar um concerto ao vivo em Abril de 2009 a ser transmitido para todo o mundo via Web. Os músicos deverão interpretar a Internet Symphony Nº1 Eroica, uma composição original do chinês Tan Dun.

    O processo de selecção ficará inicialmente a cargo de um painel de peritos musicais pertencentes às orquestras mais reputadas do mundo mas a escolha dos finalistas será da responsabilidade dos utilizadores do YouTube. Os interessados em candidatar-se a esta oportunidade necessitam de enviar dois vídeos de interpretações suas de duas peças – sendo uma delas a Internet Symphony – até 28 de Janeiro de 2009. Todos os instrumentos são admitidos, tendo apenas os músicos que terem uma idade superior a 14 anos. Podem ler mais pormenores aqui (via SiliconValley.comfoto de ®oberto’s segundo licença CC-BY-NC-ND 2.0).

  • Patrick Wolf apela a fãs para financiarem gravação de novo álbum

    Patrick Wolf e o seu violino

    É mesmo verdade. Um dos nomes grandes da música independente e alternativa acaba de aderir ao crowdfunding. Segundo o NME, Wolf optou por recorrer ao BandStocks, um serviço sobre o qual eu já referi aqui e que funciona como uma espécie de Sellaband, com a única diferença de ter um sistema de controlo de qualidade, leia-se um grupo de executivos da indústria discográfica que pré-seleccionam as bandas que consideram ter mais talento.O objectivo do músico passa por recolher 10 mil partes de dez libras (cerca de 11 euros), isto é 100 mil libras cada para a gravação de um álbum duplo intitulado Battle que deverá ser lançado na Primavera de 2009. Podem consultar a página de Patrick Wolf no BandStocks e no MySpace. Entretanto, a cantora Jill Sobule, que recolheu até agora 89 mil dólares (64.500 euros) através do seu site também já anunciou que o seu novo álbum terá como título California Years e deverá ser lançado a 14 de Abril com a chancela da sua própria editora (via Billboard) (foto de talkingimo segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0).

  • eMusic introduz motor de recomendação de música

    eMusic

    Apesar da saída do seu director executivo e de uma série de despedimentos, a empresa de subscrição de músicas continua a revelar novas funcionalidades. Na semana passada, a eMusic lançou um novo design, bem como um motor de recomendação de música baseado na tecnologia da MediaUnbound.  Tal como o Genius do iTunes, o sistema visa permitir que os clientes tenham acesso facilitado a música nova tendo em conta os dados da sua conta pessoal (downloads, classificações, pesquisas, etc.). Os responsáveis pela empresa garantem que a qualidade das recomendações tende a aumentar com cada acção efectuada pelo cliente. No entanto e apesar das modificações, continua a ser bastante difícil para os não-subscritores entrarem no site sem serem “brindados” com uma mensagem apelando-os a tornarem-se assinantes. Uma alternativa consiste em aceder por aqui. Já agora, quem quiser pode consultar a lista de melhores álbuns de 2008 da eMusic, um top que tem o grave inconveniente de atribuir muita importância a reedições.

  • Operadora de telemóveis sueca TeliaSonera estreia serviço de aluguer de música com DRM

    Que outra coisa se pode chamar senão estupidez lançar mais um serviço de downloads “ilimitados” – mas que não passam de meros alugueres uma vez que estão acorrentados a DRM – nesta altura do campeonato? Pois foi precisamente isso que a sueca TeliaSonera fez na semana passada. O serviço estreado dia 8 na Suécia chama-se Telia Musik e inclui o acesso a mais de três milhões de faixas pertencentes à EMI, Universal, Warner e uma série de independentes. A mensalidade custa 99 coroas (pouco menos de nove euros) por mês, mas os três primeiros meses são de borla. Contudo, para além desses temas não poderem ser guardados após o fim da subscrição, eles também não podem ser gravados para um CD nem são compatíveis com um iPhone. Posteriormente, a assinatura deverá também chegar à Noruega, Dinamarca, Finlândia, Estónia e Lituânia (via Billboard).

  • Finlandesa DNA lança oferta de banda larga com aluguer de músicas incluído

    DNA

    O que eu disse em cima é aplicável também neste caso. Este ISP nórdico lançou no início do mês um pacote de acesso à Internet com uma velocidade de ligação de 2 Mbps, o DNA Music Broadband, que integra o acesso a um número ilimitado de downloads de música. Tudo por um preço de 39,90 euros, o que parece ser um bocado puxado, ainda para mais tendo em conta que todas as músicas se encontram acorrentadas medidas de restrição tecnológica do Windows Media Audio 10 da Microsoft. Ou seja: gravar para CDs e transferir para iPods/iPhones está fora de questão (via Digital Music News).

  • Projecto online (RED)WIRE de apoio a vítimas da SIDA abre as portas

    (RED)WIRE

    A 1 de Dezembro, o Dia Mundial de Luta contra SIDA, abriu finalmente o (RED)WIRE, o tal serviço de subscrição de música apoiado por Bono dos U2 sobre o qual eu falei aqui em Julho. Só que na verdade, o projecto não se apresenta bem como um serviço mas sim como uma revista digital de música destinada a apoiar as vítimas da SIDA no continente africano e distribuída através de uma aplicação para o Adobe Air com design da IDEO e desenvolvimento da PassAlong Networks. Por cinco dólares ao mês, os assinantes têm o direito de receber todas as quartas-feiras um número da revista composto por um tema exclusivo de um artista reputado (U2, Coldplay, Jay-Z, The Killers e Elton John, Dixie Chicks, R.E.M., Bob Dylan, Sheryl Crow e muitos outros), um artista novo seleccionado pela equipe editorial da (RED) e um componente multimédia que poderá passar por um videoclip, fotografia ou uma reportagem que mostra como as receitas geradas pelo projecto beneficiam directamente as populações africanas necessitadas. Os subscritores têm ainda direito a receber dois números de graça. Alguns dos parceiros são a MSN da Microsoft e o iLike (via Hypebot).

  • Estudo prevê que digital represente apenas 41 por cento das vendas de música nos EUA em 2013

    SÓ? Tendo em conta que a Atlantic Records afirmou recentemente que o digital já ultrapassadou a barreira dos 50 por cento, é caso para perguntar se a pesquisa da Jupiter – que há alguns meses foi adquirida pela rival Forrester – não peca por defeito. A mesma empresa estima ainda que este ano o sector numérico represente 18 por cento do mercado das vendas de gravações de música nos Estados Unidos. De acordo com o estudo, o mercado fonográfico deverá descer dos 10.2 para os 9,8 mil milhões de dólares (de 7,4 para 7,1 mil milhões de euros) nos próximos cinco anos. Aqueles que depositam muitas esperanças nos toques e downloads para telemóveis devem rever em baixo as suas expectativas: os ringtones apenas deverão contribuir com três por cento do total, isto é, 300 milhões de dólares (217 milhões de euros), em 2013 (via Listening Post).

  • Sony Music paga um milhão de dólares por violação de privacidade de menores

    A editora discográfica concordou pagar um milhão de dólares de modo a resolver um processo instaurado pela Comissão Federal do Comércio dos Estados Unidos (FTC) por ter recolhido e divulgado de forma imprópria – sem autorização prévia dos pais – os dados pessoais de cerca de 30 mil crianças com menos de 13 anos em 196 dos seus cerca de 1000 sites. Apesar dos sites afirmarem que os utilizadores com menos de 13 anos não podiam ter acesso, a Sony não fez nada para impedir que os miúdos se registassem. Infelizmente, este caso coloca graves inconvenientes a outros administradores, como se pode ler no Threat Level: como é que os administradores de sites podem ter garantias fidedignas de que os pais autorizam o registo dos filhos quando os putos podem facilmente fornecer nomes e data de nascimentos e endereços falsos? Não é que eu seja grande defensor da Sony Music, mas isto ainda vai dar um grande bico de obra para outras redes sociais… Segundo a FTC, a multa é a quantia mais elevada paga até hoje por violação da Lei de Privacidade Online Infantil dos EUA (COPPA).

  • Jornal britânico Mail On Sunday lança editora discográfica

    O mesmo diário que ofereceu o último disco de Prince a cerca de três milhões de leitores acaba de anunciar a criação de uma etiqueta de discos no intuito de conquistar as tabelas de vendas durante a época natalícia (via No Rock and Roll Fun).

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