Tudo começou quando a Warner Music Group publicou um comunicado no sábado de manhã anunciando que tinha decidido retirar todos os vídeos de artistas pertencentes ao seu catálogo como Madonna, Metallica e Red Hot Chilli Peppers bem como aos editados pela Warner/Chappell do YouTube em razão do fracasso das negociações com o Google para renovar o contrato de licenciamento. Por outras palavras, a WMG queria receber uma percentagem maior das receitas publicitárias geradas pelos anúncios exibidos no site.
Por si só, isto não seria de admirar já que a Warner não hesitou duas vezes quando em Junho passado removeu todas as suas músicas do Last.fm. Em Agosto deste ano, o seu patrão Edgar Bronfman Jr. chegou mesmo a ameaçar deixar de permitir a inclusão das suas músicas nos jogos para consolas.
No entanto, convém lembrar que a WMG foi a primeira das quatro majors a assinar um acordo com a YouTube, em Setembro de 2006 – um mês antes da aquisição do site de partilha de vídeos pelo Google por uns astronómicos 1,65 mil milhões de euros. Na altura, a Universal Music tinha mesmo instaurado um processo contra o site. Entretanto, tanto a UMG como a Sony e a EMI também fizeram as pazes com o YouTube em troca de uma pequena quantia por cada streaming de um vídeo, uma percentagem das receitas publicitárias.
No fundo, tudo se resume (sempre) a uma questão de dinheiro: segundo o New York Times, durante o ano fiscal de 2008 que terminou em Setembro a Warner Music teve 639 milhões de receitas digitais, sendo que destas apenas menos de um por cento (menos de 6,39 milhões de dólares).
Mas será que foi mesmo a Warner que começou a remover os vídeos ou o próprio Google, para mostrar às editoras que são elas que precisam mais do YouTube do que o YouTube delas? Afinal de contas, esta seria a altura ideal para o Google fazer valer a sua força jundo das majors, na medida em que todas as quatro se encontram prestes a renegociar os seus acordos de licenciamento. Na nota explicativa sobre os avios de remoção de vídeos com conteúdos da WMG publicada no blog do site, não existe qualquer referência concreta neste sentido mas tanto o MediaMemo como a CNET garantem que foi o próprio Google/YouTube que tomou a iniciativa depois das negociações terem chegado a um impasse na sexta-feira à noite.
A juntar a tudo isto, começou a circular o rumor – com origem em fonte próximas da Warner? – de que a WMG tinha removido os vídeos porque as majors estavam a considerar criar o seu próprio site de videoclips de música online. A ideia, que já não é nova, partiu da Universal Music e visaria a criação de uma espécie de um Hulu para a música. Segundo as cabeças-pensantes da indústria discográfica, um site desse tipo renderia mais dinheiro com a publicidade do que o YouTube, conhecido pelas quantidades industriais de conteúdos gerados pelos utilizadores que cativam menos os anunciantes. No entanto, tendo a concordar que tudo parece não passar de um bluff das majors repescado à pressão para fazer chantagem com o Google.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e pertence a codenamecueball.
Artigos relacionados:
- ACTUALIZADO: Warner Music e YouTube fazem as pazes
- Utilizadores do YouTube estão furibundos com a Warner Music
- Warner Music encarrega equipa de vendas do Veoh de vender anúncios para o YouTube
- Vídeos do concerto dos Led Zeppelin desaparecem do YouTube devido a erro de anti-”piratas”
- Neil Young acusa YouTube de discriminar a Warner Music face às outras majors



{ 4 trackbacks }
{ 0 comments… add one now }