O que diriam se o vosso fornecedor de acesso à Internet passasse a disponibilizar uma oferta de banda larga de 50 Mbps, com uma velocidade mais de duas vezes superior à do pacote topo de gama anterior de 20 Mbps mas pouco tempo depois anunciasse que pretendia passar a fazer traffic shaping ao protocolo de BitTorrent em meados do próximo ano? Seria uma total incoerência, não? Para que é que uma pessoa precisa de Internet mais rápida se depois não pode tirar partido dela ao máximo?
Pois foi precisamente isso que aconteceu esta semana com a Virgin Media, uma das maiores empresas de acesso à Internet do Reino Unido, de acordo com um artigo publicado pelo The Register. Actualmente, a companhia apenas reduz a velocidade de ligação dos utilizadores para 50 a 75 por cento da sua velocidade contratada durante períodos de cinco horas sempre que estes ultrapassam um determinado limiar mas independentemente da aplicação que utilizam.
Mas segundo o director executivo Neil Berkett, o ISP deverá implementar uma nova política de gestão de tráfego de forma a reduzir a largura de banda dos torrents de todos os utilizadores. Tendo em conta que o mesmo Berkertt disse no início deste ano que a neutralidade da rede não passava de um monte de tretas, tal postura não é de admirar. Pouco tempo depois, o patrão da Virgin Media veio dizer que não foi bem isso que ele quis dizer.
Mas se a questão é economizar largura de banda, a verdade é que o P2P é cada vez menos o culpado quando se verifica o peso crescente em termos de tráfego representado pelos sites de streaming, newsgroups da Usenet e sites de alojamento de ficheiros. Seja como for, a aquisição anterior de um kit de Inspecção Profunda de Pacotes (DPI) da empresa israelita Allot já dava a indicar que a Virgin Media se preparava para tomar alguma medida deste tipo.
Tal como já vem sendo habitual, algumas horas depois desta notícia a Virgin Media negou que pretendia de facto começar a usar traffic shaping em BitTorrent e que não tencionava proceder a quaisquer alterações na sua política de gestão de tráfego. Mas no que concerne à Virgin Media, os utilizadores devem desconfiar bastante destes desmentidos. De facto, em Março passado surgiu o rumor de que o ISP tinha estabelecido um acordo com a indústria discográfica no sentido de implementar um projecto-piloto para cortar a ligação à Internet dos partilhadores. Como de costume, a empresa não perdeu tempo a desmentir a notícia. Passados uns meses, quando o ISP enviou 800 cartas a clientes seus alegadamente apanhados a descarregar conteúdos ilegais a partir de redes P2P ficámos a saber que afinal sempre era verdade.
(foto de Howard.Gees segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0)
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