Tor2Web – uma ferramenta para aceder ao lado secreto da Web

by Miguel Caetano on Dezembro 21, 2008

O projecto Tor é uma das iniciativas que mais tem contribuído para defender a liberdade de informação e expressão dos internautas residentes em países não democráticos como China, Irão e Arábia Saudita na medida em que permite que eles acedam a sites especiais da Web de uma forma privada e anónima. Isto graças a um modelo semelhante ao da casca de uma cebola – daí ser também conhecido pelo nome de onion router – que reencaminha aleatoriamente o tráfego, por uma série de nós intermediários alojados por voluntários um pouco por todo o mundo antes de chegar ao seu destino final.

Ao longo deste percurso, todo o tráfego vai sendo encriptado, excepto quando chega ao nó final. Desta forma, apenas este consegue detectar a origem da mensagem. Desde 2004, o Tor começou também a permitir o alojamento de servidores destinados a produtores de conteúdos ciosos da sua privacidade, na medida em que é bastante difícil identificar os administradores.

Isto dá muito jeito não só para activistas de direitos humanos e “gargantas-fundas” mas também para quem pretenda partilhar ficheiros protegidos por conteúdos de autor, pornografia dos mais variados tipos – incluindo, pornografia infantil. Contudo, até agora estes “serviços secretos” encontravam-se inacessíveis ao grande público na medida em que exigiam a instalação de software especial.

De modo a permitir que toda e qualquer pessoa pudesse visitar estes sites disponíveis a partir do nome de domínio com o sufixo.onion, os programadores Aaron Swartz (fundador do Reddit, um site social de notícias semelhante ao Digg) e Virgil Griffith (criador do WikiScanner) criaram uma ferramenta chamada Tor2Web (via Threat Level). Desta forma, eles pretendem  incentivar um maior número de organizações a disponibilizarem conteúdos anonimamente através do Tor, de forma a complementar o Wikileaks, um site destinado à publicação de informação confidencial mas de relevância pública que tem vindo a sofrer algumas pressões legais no sentido da remoção de conteúdos mais sensíveis.  

O grande problema do Tor2Web é que uma vez que ele apenas exibe os sites disponibilizados através dos serviços secretos do Tor, os utilizadores podem apenas navegar por cerca de uma centena de sites. Pelo que pude reparar, a maioria divide-se entre a pornografia escabrosa e sites de partilha e alojamento de ficheiros. Outra dificuldade é que é bastante impossível adivinhar que tipo de conteúdos é que iremos apanhar quando clicamos  num dos endereços que constam da página de índice, uma vez que se tratam de URLs alfanuméricos.

De modo a resolver esta situação Swartz e Griffith pretende implementar um directório composto por categorias, o que irá permitir que os utilizadores já saibam à partida o que é que poderão esperar do outro lado. Por fim, convém também realçar que quem visita estes sites através do Tor2Web não obtém quaisquer garantias de privacidade e anonimato. Por outro lado, convém também realçar que mesmo o próprio Tor não é totalmente seguro pois existe sempre a possibilidade de alguém implementar um nó de saída e começar a recolher dados pessoais enviados pelos outros utilizadores. Seja como for, considero que todos os esforços no sentido de oferecer um maior anonimato aos utilizadores devem ser valorizados.

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