Há quem acredite que o ditado “não há almoços grátis” que os economistas neo-clássicos gostam muito de utilizar a torto e a direito não é aplicável na Web devido à natureza digital – logo, não rival – deste ambiente mediático que reduz os custos de produção a um preço quase zero.
Mas a verdade é que o preço nunca é rigorosamente zero, sobretudo quando se trata de um serviço centralizado de streaming de conteúdos em que as músicas e os vídeos têm que estar alojados nos servidores da companhia e não disseminados de forma descentralizada nos computadores dos utilizadores como no P2P e no BitTorrent.
Isso implica elevados custos em termos de máquinas, largura de banda e manutenção. Por outro lado, mesmo quando nos modelos regidos por uma “economia da dádiva” o preço monetário é grátis existem sempre outras formas de câmbio extra-mercado como o rácio, o mérito ou a reputação.
Tal não é o caso de serviços como o Deezer ou o Imeem que dependem da publicidade como do pão para a boca e nestes tempos em que os anunciantes tendem a reduzir as despesas com publicidade mesmo nos meios online, a vida destes sites torna-se bastante mais complicada, ainda para mais quando têm que pagar quantias exorbitantes às editoras discográficas para usufruírem dos seus catálogos.
De forma a fazer face à quebra de receitas – curiosamente resultante das despesas de manutenção derivadas de um crescimento do tráfego -, o Imeem decidiu começar a cobrar pelos uploads de músicas, imagens e vídeos que os seus utilizadores efectuam para o site.
De acordo com a CNET, os utilizadores terão a partir de agora que começar a pagar 9,99 dólares ao ano (7,80 euros) para terem o direito de disponibilizar até 100 músicas e dez vídeos. Aqueles que quiserem fazer o upload de um máximo de 1000 músicas e 100 vídeos terá que desembolsar 29,99 dólares ao ano (23,80 euros). Finalmente, os que quiserem disponibilizar até 20 mil músicas e 500 vídeos terão que pagar 99,99 dólares ao ano (78,10 euros).
Embora o serviço de streaming continue a ser a gratuito, as mudanças introduzidas na funcionalidade de upload desagradaram muitos utilizadores do Imeem. Mas visto do ponto de vista da empresa, esta forma de monetização faz todo o sentido dadas as suas actuais dificuldades financeiras. Em contrapartida, esta notícia mostra mais uma vez como convém desconfiar de todos os serviços de cloud computing que se oferecem para alojar a nossa biblioteca inteira de música. Esses serviços são administrados por empresas com fins lucrativos que a qualquer momento podem alterar a sua política de utilização, fazendo com que o utilizador saia prejudicado.
Nunca como hoje fez tanto sentido uma plataforma descentralizada verdadeiramente Peer-to-Peer. O que falta é uma implementação fiável e “amiga do utilizador” que integre a experiência de navegação da Web com um protocolo descentralizado ou semi-descentralizado.
De qualquer forma, para os utilizadores fiéis do Imeem talvez seja importante deixar este recado: a partir de agora já é possível enviaram para o Twitter um tweet com as músicas que estão a ouvir e as playlists que criaram no site. Os programadores do serviço desenvolveram um widget específico que pode ser adicionado a partir daqui. Quem quiser pode também seguir o Imeem no Twitter.
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