Estudo holandês conclui que a partilha de ficheiros é boa para a economia

by Miguel Caetano on 20 de Janeiro de 2009

Que o P2P tem efeitos positivos para o conjunto da economia é algo que todos os partilhadores já sabiam mas é sempre bom quando ficamos a saber de mais um estudo que comprova aquilo que dávamos por adquirido. É o caso de uma pesquisa encomendada pelo governo holandês à empresa de consultoria TNO que conclui que a partilha de ficheiros é benéfica tanto a curto como a longo prazo.

Na medida em que os consumidores podem usufruir de conteúdos de qualidade, podendo assim poupar muito mais dinheiro para adquirirem outros artigos do que o montante total do que os produtores de conteúdos acabam por perder, existe um óbvio aumento do bem-estar social e ganho económico. Os autores do estudo chegam até a quantificar este benefício num montante correspondente a 100 milhões de euros anuais.

O documento de 142 páginas encontra-se disponível apenas em holandês mas tanto a Ars Technica como o TorrentFreak publicaram resumos das principais conclusões do estudo. Os investigadores realizaram um inquérito a uma amostra da população holandesa e chegaram à conclusão que 35 e por cento dos holandeses descarregou músicas, filmes e videojogos através de software de partilha de ficheiros.

Em contrapartida, apenas 2,3 por cento pagou por conteúdos nos últimos 12 meses. Outros dados indicam que alguns dos inquiridos já experimentaram recorrer a alternativas online legais como o iTunes (6,5%) e Amazon (2,9%).  Por outro lado, 1,5 a 2 mil milhões de músicas são ilegalmente descarregadas em cada ano, o qe representa 7,5 músicas por cada título comercializado quer sob a forma de download como de CD.

Mas a conclusão mais importante que o estudo contém é que o acesso grátis não exclui inevitavelmente o pagamento pelos conteúdos: os partilhadores compram em média o mesmo montante por música que os outros utilizadores e acabam por ir mais vezes a concertos e comprar mais artigos de merchandising. Este dado não é nada de admirar e confirma as conclusões de um outro estudo encomendado pelo governo canadiano. Os partilhadores que descarregam videojogos acabam mesmo por comprar mais jogos do que os restantes.

Embora à partida este estudo não traga nada verdadeiramente de novo – e mesmo não tendo acesso à metodologia que lhe serviu de base -, ele vem apenas conceder mais força à teoria de que o P2P funciona na maior parte das situações como uma forma de experimentar a cópia grátis antes de comprar a cópia paga.

Para além do mais, a grande maioria dos partilhadores descarrega muito mais conteúdos do que aqueles que estaria disposto a comprar caso não tivesse hipótese de obtê-lo via P2P. A questão que as editoras discográficas e produtoras de cinema se devem colocar é porque razão apenas uma pequena percentagem dos inquiridos pagou por conteúdos que tinha anteriormente descarregado de graça. Não será porque a esmagadora maioria desses discos, filmes e jogos é de fraca qualidade?

Esperemos que mais legisladores se convençam de uma vez por todas que se as produtoras de conteúdos são incapazes de monetizar a sua actividade isso não é um problema do Estado mas sim delas próprias. Não compete a ninguém resolver os problemas de uma pequena minoria quando a esmagadora maioria sai beneficiada. Mas isto não implica que o Estado não deva fomentar a produção cultural de uma forma indirecta, apoiando a formação dos futuros criadores.

(foto de peretzup segundo licença CC-BY-SA 2.0)

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1 Miguel Caetano 20 de Janeiro de 2009 ás 16:14

Gracias :-) Já está corrigido!

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