Com cerca de 80 mil habitantes, a Ilha de Man é uma região que apesar de não pertencer Reino Unido tem como chefe de estado a Raínha Elizabete II. A ilha é sobretudo conhecida por ser um paraíso fisca na medida em que cobra uma taxa de zero por cento a todas as empresas e uma taxa máxima de rendimento de 18 por cento.
Mais recentemente ela conseguiu a proeza de alcançar uma taxa de penetração de banda larga de 100 por cento – o que quer dizer que não há um único habitante que não disponha de uma ligação de alta velocidade à Internet. Não é por isso coincidência que ela funcione como um abrigo a empresas de jogos online.
Mas o governo da Ilha não se quer ficar por aí e a sua divisão de e-business acaba de anunciar uma proposta para a implementação de um sistema de licenciamento destinado aos fornecedores de Internet e operadoras de telecomunicações do seu território de modo a oferecerem serviços de downloads ilimitados de música aos seus clientes, independentemente da sua proveniência: quer seja Limewire, eMule, torrents ou Rapidshare.
A notícia foi dada em primeira mão por Ron Berry, gestor de investimento Interno do governo da Ilha, durante a sessão de domingo da conferência MidemNet do MIDEM, o maior certame anual da indústria musical, que foi alvo de uma cobertura de live blogging da Music Ally. Esta ideia não é propriamente nova e um dos seus mais incansáveis proponentes tem sido Jim Griffin que tem tentado implementar a ideia nas universidades em conjunto com a Warner Music.
Mas a ideia do governo da Ilha de Man é precisamente impor uma licença compulsória a nível nacional que dará direito a descarregar todos os ficheiros de música que os internautas desejarem a partir da sua ligação doméstica ou via telemóvel em troca de uma quantia mensal fixa.
“No fim de contas, nós nunca iremos conseguir acabar com a pirataria. Adiram a ela!. Se a indústria musical tivesse aderido ao [Napster original], teríamos hoje um medium bastante diferente,” explicou Berry que acrescentou ainda que a prposta representa o culminar de mais de um ano de negociações com importantes agentes do sector.
O que foi mesmo de admirar foi a reacção de Geoff Taylor, presidente da BPI, a associação da indústria discográfica britânica, que acolheu de braços abertos a ideia: “Se todos os ISPs europeus estivessem interessados em adquirir licenças, estaríamos numa posição bastante interessante… e não teríamos que enfrentar muitos dos problemas que enfrentamos hoje (…) Futuramente, os ISPs irão necessitar de serviços que lhes permitam diferenciar-se da concorrência e que lhes garantam uma margem de lucros.”
Mas como nota Andrew Orlowski no The Register, a grande falha na proposta da Ilha de Man é que se trata de uma licença compulsória e não voluntária, uma vez que esta oferece um incentivo às empresas para a criação de novos serviços. A ver vamos se a experiência vai mesmo para a frente. O objectivo da Ilha de Man é fazer com que a música passe a ser a sua segunda maior fonte de receitas, apenas atrás da banca.
Não existem artigos relacionados.



{ 2 comments… read them below or add one }
Só é pena ser de carácter obrigatório…
Pois. A ideia é positiva mas assim não vão lá