Embora a RIAA tenha garantido antes do Natal que já tinha garantido um acordo com vários fornecedores de acesso norte-americanos no sentido de notificar os partilhadores e cortar a ligação à Internet dos reincidentes, a verdade é que a Associação da Indústria Discográfica Norte-americana se negou a adiantar o nome de qualquer um desses ISPs.
O plano da RIAA visava incumbir os operadores de resolverem de uma forma que do seu ponto de vista parecia expedita, rápida e útil para ambas as partes a questão dos downloads ilegais. Segundo os seus responsáveis, os mais de 35 mil processos instaurados contra alegados partilhadores desde 2003 estavam a revelar-se demasiado ineficazes e dispendiosos: o único caso que foi levado a julgamento até hoje e que resultou na condenação de Jammie Thomas ao pagamento de uma multa no valor de 222 mil dólares em Outubro de 2007 foi recentemente anulado, estando um novo julgamento marcado para Março. Por outro lado, as vendas de álbuns não pararam de descer.
Pois bem, parece que alguém anda a mentir pois o Threat Level da Wired bem que tentou encontrar algum fornecedor de acesso à Internet que confirmasse a existência de um qualquer acordo ou mesmo do inicio de um processo de negociações. A maior parte deles recusaram-se a comentar. Mas a Verizon chegou mesmo a negar qualquer colaboração. O mesmo ISP, o quarto maior dos EUA em número de utilizadores, adiantou ainda à Digital Music News através do seu porta-voz Eric Rabe que apenas costuma actuar quando os detentores de direitos lhe enviam uma intimação judicial alicerçada na lei DMCA.
O que é mais surpreendente é que também a Comcast e a AT&T, duas das operadoras que se mostraram no passado mais solícitas à proposta da RIAA, tenham também se recusado a prestar mais esclarecimentos.
Poucos dias depois da RIAA ter divulgado a sua nova estratégia, Jerry Scroggin, o proprietário da Bayou Internet and Communications, um pequeno ISP com sede no Louisiana, afirmou à CNET que só estaria disposto a colaborar com a indústria discográfica caso elas lhe pagassem. Até ao momento, Scroggin tem respondido a todas as notificações enviadas pela RIAA solicitando-lhes o envio de um cheque de modo a compensá-lo pelo tempo perdido a responder a esses pedidos. Pela sua parte, o lobby das grandes editoras tem na maior parte das vezes ignorado essas cartas.
Mas este é um pequeno ISP com um peso minúsculo no mercado norte-americano de banda larga, O silêncio por parte dos maiores operadores de Internet do país só pode significar que alguém está a faltar à verdade: ou a RIAA exagerou um bom bocado a sua versão da história ou então os ISPs estão com receio de provocarem o repúdio dos seus clientes que não hesitarão um momento em mudar para outra companhia que respeite os seus direitos.
(foto de Leo Reynolds segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0)
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