
Foram vários os rumores e os boatos, as ameaças e as chantagens mas hoje cumpriu-se finalmente o desejo expresso por Steve Jobs em Fevereiro de 2007 quando escreveu uma carta aberta dirigida às grandes editoras apelando-lhes que licenciassem a sua música em formato sem DRM.
Durante a MacWorld Expo que decorreu hoje em São Francisco, a última com a presença oficial da marca da maçã, a Apple confirmou (via Hypebot) aquilo que já toda a gente esperava: a partir de hoje todas as quatro maiores editoras discográficas do mundo passarão a disponibilizar as suas músicas no formato AAC de 256 Kbps sem DRM.
Segundo o comunicado, cerca de oito milhões dessas músicas já podem ser adquiridas a partir de hoje sem a tecnologia FairPlay da marca da maçã, sendo outros dois milhões integrados até ao final do primeiro trimestre. isso quer dizer que por essa altura, a loja do iTunes contará com dez milhões de faixas sem qualquer tipo de restrições digitais.
Outra novidade é que a partir do início de Abril, a Apple deverá introduzir três tarifários na loja do iTunes: 69 cêntimos para temas de fundo de catálogo, 99 cêntimos para a grande maioria das músicas e 1,29 cêntimos para as novidades. Essa era desde há muito tempo uma das exigências da Universal Music para licenciar o seu catálogo sem DRM na loja do iTunes. Enquanto as outras grandes lojas de música digital (Amazon, Wal-mart, 7Digital, etc.) conseguiram obter a mesma benesse muito mais rapidamente em troca dessa concessão, a marca da maçã optou por resistir ao máximo. Segundo a companhia, a maior parte dos álbuns continuaram a custar 9,99 euros, sendo a maior parte das canções comercializadas entre 69 cêntimos e 1,29 euros.
A notícia confirma assim o rumor divulgado em primeira mão em Novembro passado pelo blog francês Electron Libre. Finalmente, esta semana a CNET citou fontes confidenciais segundo as quais a Apple já tinha conseguido chegar a um acordo com as três restantes editoras com quem ainda faltava assinar: Universal Music, Warner Music e Sony Music. Até agora, das quatro grandes apenas a EMI tinha aceite remover todas as protecções tecnológicas das suas músicas à venda no iTunes.
Mesmo assim, há quem lamente que a Apple tenha optado por disponibilizar a música no formato AAC e não em MP3 que é o padrão universal de música digital e que é utilizado pela maioria das lojas de música online, como recorda o director executivo da rival 7Digital Ben Drury. Aqueles consumidores que adquiriram anteriormente músicas protegidas por DRM no iTunes poderão actualizar para uma versão sem DRM mediante o pagamento de 30 cêntimos adicionais ou 30 por cento do preço de cada álbum, o que não deixa de ser um bom negócio para a Apple
A última novidade quanto ao iTunes que convém destacar é que a partir de hoje já é possível descarregar downloads a partir da iTunes Music Store a partir de uma ligação 3G e não apenas via Wifi para os proprietários de um iPhone 3G, ao mesmo preço que o habitual. Quem não ficou lá muito entusiasmado com estas novidades foi Bob Lefsetz que acha que o fim das DRMs no iTunes já veio demasiado tarde. Lefsetz considera que o passo dado foi insignificante. Na verdade, o que muita gente diz que faz falta é um sistema dinâmico de preços capaz de reagir permanentemente e de modo automático aos níveis de procura de determinada música. Um sistema semelhante como esse já é empregue pela loja de música online Amie Street.
(foto de brandon shigeta segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0)
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