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Mais de metade dos utilizadores canadianos de banda larga afectados por traffic shaping

by Miguel Caetano on 23 de Janeiro de 2009

Se pensam que só os clientes de certos ISPs de países periféricos como Brasil ou mesmo Portugal sofrem com os efeitos da travagem da velocidade dos downloads de ficheiros via P2P, então estão muito enganados. No Canadá, os resultados de um inquérito recentemente divulgado revelam que todos os cinco maiores fornecedores de acesso à Internet do país limitam a largura de banda reservada às redes Peer-to-Peer.

O inquérito partiu de uma iniciativa do Conselho da Radiodifusão e Telecomunicações Canadianas (CRTC), a entidade reguladora nacional, no seguimento de um conflito entre a Associação Canadiana de Fornecedores de Internet (CAIP) e a Bell Canada, e teve como objectivo avaliar o grau de amplitude das práticas de traffic shaping pelos ISPs nacionais.

Embora boa parte da informação mais importante tenha sido disponibilizada aos funcionários da CRTC numa base confidencial, Christopher Parsons, estudante de doutoramento em Ciência Política na Universidade de Vitória compilou um sumário das respostas dos ISPs à entidade reguladora (via TorrentFreak)

Os depoimentos dos representantes das empresas são pouco mais que lastimáveis para quem acredita e defende numa Internet livre e regida pelos princípios da neutralidade da rede, sem discriminação entre protocolos. Como se pode ler na página 25, Bell, Cogeco, Rogers, Eastlink e Shaw admitiram recorrer a tecnologia de Inspecção de Pacotes (Deep Packet InspectionDPI) para travar certos tipos de tráfego de Internet como o P2P. E em alguns casos esta prática não é propriamente nova.

Tal como já era do conhecimento público – uma vez que a prática foi autorizada pela própria CRTC -, a Bell Canada informou que tem como política travar o tráfego de P2P entre as 16h30m e as 2h da manhã. Mas dentro em breve este ISP planeia também desconectar os utilizadores intensivos e acabar com os planos ilimitados mediante um sistema de pagamento consoante a largura de banda utilizada.

A Cogeco, por seu lado, já vem limitando a velocidades dos utilizadores de P2P desde 2001, quando a partilha de ficheiros era ainda um fenómeno de nicho. Este ISP considera que esta é a única forma de dissuadir os “abusos” da sua rede.

No mínimo hilariante é a resposta da Rogers que justifica a inspecção dos pacotes que passam pela sua rede para travar a velocidade dos uploads – independentemente do estado de congestionamento da rede – de modo a impedir que a sua rede se transforme no “buffet do mundo” – e isto é uma citação ipsis verbis.

Quanto à Shaw, embora tenho exigido que boa parte das suas respostas permanecessem confidenciais esta operadora considerou que “as tecnologias de gestão de tráfego reduziram o nível de consumo (de largura de banda) ascendente a um nível mais administrável.” De acordo com o ISP a travagem do acesso ao P2P faz com que o conjunto dos clientes obtenham a sua velocidade de largura de banda contratada, isto é, aquela que consta da oferta comercial. Isto em detrimento dos utilizadores de P2P, como é óbvio.

Se é verdade que estes cinco ISPs apenas constituem metade dos operadores de acesso à Internet no Canadá o que é facto é que se tratam dos maiores fornecedores de banda larga no país. De acordo com o que Anthony Hémond, advogado e analista de telecomunicações da União dos Consumidores do Québec, afirmou à Numerama o número de internautas canadianos que saem prejudicados com estas práticas corresponde a mais de metade dos 9,2 milhões de subscritores de serviços de banda larga.

Na sua opinião, esta situação deriva de uma falta de concorrência no mercado de acesso à Internet no Canadá, quando comparado com a situação prevalecente na União Europeia, uma vez que “em certas regiões não existe simplesmente mais do que um fornecedor de acesso.” Neste aspecto, creio que a situação não é muito diferente do que a que vigorava até há pouco tempo em certas regiões de Portugal. Será que ainda é assim?

Segundo a Ars Technica os comentários finais ao inquérito deverão ser entregues até ao final de Abril, estando uma audiência pública marcada para 6 de Julho em Gatineau, no Québec. Depois disso, é provável que a CRTC estabeleça que medidas de congestionamento de tráfego é que os ISPs poderão implementar.

(foto de Will Pate segundo licença CC-BY-NC 2.0)

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1 E-Book Gratuito 23 de Janeiro de 2009 ás 21:48

O Traffic Shaping é uma ação ridícula, tomada por várias ISP pelo mundo. Deveria ser uma prática proibida no código de consumidor de todos os paises, pois essa prática já vem se tornando muito corriqueira…

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