
Se nem um dos ISPs que mais tem colaborado com a indústria discográfica no sentido de controlar os usos que os seus clientes fazem da sua rede consegue a autorização para lançar um serviço de P2P legal, então quem irá conseguir? Se bem se recordam, a Virgin Media foi o primeiro fornecedor de acesso à Internet britânico a aceitar enviar notificações aos utilizadores apanhados a descarregar música protegida por direitos de autores. Mais recentemente, a operadora começou a restringir a largura de banda dedicada ao protocolo de P2P BitTorrent.
Embora essas acções tenham na altura parecido meras medidas destinadas a proteger os direitos de autor da indústria de entretenimento e a garantir uma melhor gestão do tráfego da sua rede, o mais provável é que tudo não tenha passado de concessões da parte da Virgin Media às grandes editoras discográficas como contrapartida para obter o seu beneplácito para o lançamento de um serviço de P2P legal.
Com efeito, já há uns tempos que o ISP britânico se encontrava a negociar com as majors um serviço que se iria alegadamente designar de Virgin Music Unlimited. Nesse sentido, a Virgin Media tinha desembolsado até agora mais de um milhão de libras no projecto. Essa verba serviu sobretudo para adquirir routers equipados com tecnologia de inspecção profunda de pacotes (DPI) à empresa israelita Allot. Só que como o The Register e o PaidContent:UK contam, esse serviço foi há última hora “congelado” pela operadora em resultado das exigências totalmente irrazoáveis da Sony Music e da Universal Music que queriam que a Virgin Media bloqueasse os uploads e downloads de músicas a partir dos PCs dos utilizadores.
Tal como referi aqui em Agosto, a plataforma de P2P que a empresa estava prestes a lançar seria baseada na tecnologia da PlayLouder, uma companhia londrina que desde 2003 tem tentado sem sucesso montar uma rede egal de partilha de ficheiros. Mais uma vez, as majors demonstraram que ainda não estão dispostas a proporcionarem aos fãs de música aquilo que eles querem e que preferem antes continuar a impingir subscrições de música que não passam de alugueres como o Nokia Comes With Music na medida em que implicam o recurso a tecnologia de DRM. Mas a verdade é que esses serviços não se têm revelado um grande sucesso.
Na verdade, acho que elas preferem continuar impávidas e serenas a assistir à descida do bolo total das receitas geradas pela venda de música do que a monetizar os 95 por cento de downloads ilegais de acordo com os números da própria indústria discográfica. Talvez do que elas estejam mesmo a precisar é que as vendas de música desçam ainda mais. Talvez aí nós as iremos finalmente a ver a implorar de joelhos aos ISPs a legalização o P2P.
(foto de jamesks segundo licença CC-BY-SA 2.0)



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BPI slams UK government minister in row over music piracy
http://musically.com/blog/2009/01/27/bpi-slams-uk...