
Eu devo ser dos poucos que tiveram conhecimento do Spotify, o serviço sueca de streaming de música que prometia oferecer uma verdadeira jukebox celestial aos fãs de música, e que não tiraram partido do truque de utilizar um proxy baseado no Reino Unido para contornar as limitações geográficas impostas pelos responsáveis da empresa a pedido das quatro grandes editoras que licenciaram o seu catálogo.
Apesar de ter ouvido maravilhas do serviço e da vastidão das músicas que se podia aí encontrar, a verdade é que nunca me deixei convencer por esses argumentos. Existem vários outros locais na Web onde é possível não apenas escutar mas também descarregar gratuitamente discografias inteiras de artistas a partir de qualquer local do mundo – não obstante o facto da maioria desses serviços serem considerados ilegais…
Parece que o tempo veio a dar-me razão pois ontem fiquei a saber através do Peter Sunde AKA Brokep do Pirate Bay que a Spotify anunciou no seu blog oficial que iria remover uma série de músicas do seu catálogo e restringir o acesso dos utilizadores de certos países a outras. Segundo a empresa, essas músicas foram distribuídas por enganos sem a autorização dos respectivos titulares de direitos – isto é, os artistas e as editoras.
É claro que esta remoção generalizada não partiu da livre vontade da companhia mas sim da imposição das quatro grandes editoras discográficas. O problema é que a Spotify devia ter tido o cuidade de retirar essas músicas adquiridas de forma ilegal logo quando abriu em modo beta.
E alguns dos que pagaram 9,99 euros ou 99 euros por uma assinatura anual para terem o direito de escutar as músicas sem terem que aturar com um anúncio em suporte áudio em cada 20 a 25 minutos exigem agora que sejam reembolsados, como se pode ler nos mais de 240 comentários à entrada na medida em que viram várias das faixas que constavam das suas playlists desaparecerem de um dia para o outro.
Embora a Spotify assegure que a cada dia que passa são acrescentadas mais uma dezena de milhar de novas faixas ao seu catálogo e garanta que está a tentar fazer tudo para substituir as músicas removidas com versões de álbuns que não foram retirados, trata-se de uma enorme crise de relações públicas que poderá danificar definitivamente a reputação da empresa. Realmente, nunca se pode esperar algo de muito bom quando as quatro majors estão metidas ao barulho. No entanto, se depois disto tudo alguém ainda quiser um convite pode tentar aqui (via FileShareFreak)
(foto de Ian D segundo licença CC-BY-NC 2.0)
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