Os consumidores britânicos aparentam ser mais espertos do que a indústria discográfica e as fabricantes de telemóveis esperavam. Eles sabem que não vale a pena pagar por um serviço que é anunciado como sendo de downloads ilimitados mas que na verdade não passa de um mero aluguer – ainda que os utilizadores possam continuar a ouvir as faixas que descarregaram após o fim do contrato – quando a música se encontra livremente disponível de borla na Internet, sem quaisquer restrições.
Apesar do director executivo da Nokia Olli-Pekka Kallasvuo ter recentemente afirmado ao Financial Times que existe bastante interesse por parte dos consumidores no Comes With Music, a oferta de subscrição de música com DRM introduzida em Outubro passado pela empresa no Reino Unido, a verdade é que uma fonte anónima de alguém com acesso aos detalhes financeiros do plano contactada pelo jornal disse que as vendas iniciais foram “razoáveis mas nada por aí além.”
Segundo a mesma fonte, os consumidores estão relutantes em pagar uma quantia adicional por um telemóvel com o pacote incluído, quando podem “sacar” a música gratuitamente da Internet. Contudo, creio que a questão é apresentada de uma forma algo simplista. Para além das principais operadoras britânicas se terem até ao momento recusado a comercializar a subscrição – uma vez que grande parte já possui as suas próprias ofertas -, o Comes With Music apenas se encontra ainda disponível em dois modelos, o Nokia 5310 Xpress Music e o N95 8 GB.
Os dois aparelhos caracterizam-se ambos por terem uma capacidade de armazenamento de dados relativamente diminuta, com a agravante do primeiro não incluir sequer Wifi. Por fim, é claro, o próprio facto de se basear na tecnologia proprietária de DRM da Nokia faz com que seja impossível transferir as músicas descarregadas para dispositivos como um iPod ou um iPhone.
Será que as coisas vão começar a mudar quando a Nokia introduzir o seu concorrente do iPhone, o 5800 XpressMusic de ecrã táctil? É provável que sim, mas não a ponto de provocar um aumento repentino na procura. Afinal de contas, “todo o burro come palha, é preciso é sabê-la dar” – o que neste caso quer dizer, saber promover a dita cuja.
(foto de inky segundo licença CC-BY-NC 2.0)
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