A depressão já chegou à Sony Music e à Warner Music

by Miguel Caetano on 5 de Fevereiro de 2009

Apesar do desempenho relativamente positivo da EMI, a mais pequena das quatro grandes editoras durante o semestre fiscal terminado a 30 de Setembro, a crise parece ter afectado severamente a Sony Music Entertainment e a Warner Music Entertainment. Sobretudo no caso da antiga Sony BMG.

Como se pode ler no relatório de contas da Sony relativo ao último trimestre de 2008 (via Coolfer), se tivermos em conta a aquisição pela Sony dos 50 por cento da parte da alemã Bertelsmann na editoras discográfica em Outubro, as vendas da Sony Music subiram 106,8 por cento em comparação com o mesmo período do ano fiscal anterior para os 105,3 mil milhões de ienes (900 milhões). Mas esta percentagem é artificial, pois numa base Pro Forma (sem contar com a aquisição e outras despesas inusuais) as vendas desceram 22 por cento.  A razão? “O declínio acelerado no mercado global de música em formatos físicos em consequência da recessão económica mundial.”

E embora os lucros operacionais tenham subido 10 por cento se tivermos em conta a transacção de Outubro para os 14,4 mil milhões de ienes (120 milhões de euros), numa base Pro Forma constata-se uma descida de 41 por cento.

Já no que se refere à Warner Music Group, se o quarto trimestre correu melhor do que o da sua concorrente e superou mesmo as expectativas apocalípticas de alguns analistas, a verdade é que as coisas não correram lá muito bem, pois as vendas registaram uma descida de 11 por cento em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, como se pode ler no comunicado divulgado pela empresa (via MediaMemo). No total, as receitas foram de 878 milhões de dólares (686 milhões de euros).

Os lucros operacionais sofreram uma queda ainda maior de 34 por cento dos 62  para os 41 milhões de dólares (dos 48 para os 32 milhões de euros). As vendas nos Estados Unidos diminuíram 18,8 por cento mas as vendas internacionais também reduziram 4,9 por cento.

Parece que o único grande ponto positivo do relatório é que as vendas digitais subiram 20 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior: de 142 milhões de dólares subiram para os 171 milhões de dólares (111 e 134 milhões de euros, respectivamente). Contudo, no ano anterior essa subida tinha sido de 41 por cento. Actualmente, o digital “já” (não será melhor apenas?) representa 19 por cento das receitas totais da WMG, uma subida de dois por cento em comparação com o trimestre anterior.

De realçar também a subida dos lucros para os 23 milhões de dólares (18 milhões de euros) em comparação com as perdas de 16 milhões de dólares no ano passado (12,5 milhões de euros). Mas isto deveu-se em grande parte à venda de uma quota minoritária na Front Line Management, a maior companhia de management de artistas nos EUA, à Ticketmaster, a empresa de venda online de bilhetes para concertos.

Face a estes resultados que indicam uma clara tendência para a diminuição do crescimento do digital e uma concomitante descida a passo acelerado das vendas de CDs, não admira que as grandes editoras estejam a implorar aos ISPs que negociem acordos para licenciamento de subscrições de música. Infelizmente, as majors continuam a querer apenas e unicamente impor os seus termos e a impedir a partilha.

(foto de Seb Payne segundo licença CC-BY-NC-ND 2.0)

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1 Ricardo 6 de Fevereiro de 2009 ás 12:38

quando se fala em lucros operacionais positivos e depois se obtem lucros finais negativos significa que a estrutura de financiamento está muito pesada em relação à parte operacional, geralmente por causa de pagamento de juros de empréstimos. O que a médio prazo pode gerar um problema de liquidez e as empresas sem liquidez é o mesmo que caminharem para a falência. A análise dos lucros por si só significa muito pouco sobre o negócio na sua totalidade.

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2 Miguel Caetano 6 de Fevereiro de 2009 ás 16:38

Sim, é por isso é que a EMI está numa situação bastante grave, com uma dívida superior a dois mil milhões de euros…

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