
Aos poucos, a EMI tem vindo a passar de uma editora discográfica convencional para uma companhia de marketing musiical, mais interessada em estabelecer parcerias com grandes empresas e em arranjar patrocinadores para os seus artistas do que em escoar os seus produtos através de superfícies comerciais.
A estratégia apontada num relatório interino por Lord Brit, o presidente da Maltby Capital, a empresa através da qual a empresa de fundos de investimento Terra Firma de Guy Hands controla a EMI, faz sentido tendo em conta a redução do espaço de retalho dedicado à música e à falência de cadeias de lojas de discos no Reino Unido como a Woolwort’s e a Zavvi.
Como a maior parte das pessoas está a consumir e a pagar indirectamente por música através de uma série de suportes como telemóveis (mediante subscrições como o Comes With Music da Nokia) ou videojogos como o Guitar Hero, a empresa pretende explorar mais fontes adicionais de receitas como o licenciamento do seu catálogo para coisas tão esdrúxulas como escovas de dentes musicais. Na calha está também o lançamento de um videojogo baseado em músicas dos Beatles pela Harmonix (a mesma produtora responsável pelo Rock Band).
Para que esta mudança de paradigma fosse possível muito contribuiu as reduções de custos no montante de 100 milhões de libras efectuadas logo após a aquisição da EMI pela Terra Firma em Agosto de 2007 e que só agora foram quase concluídas. Em consequência, 1500 funcionários foram despedidos. O problema é que os benefícios desses cortes não foram ainda incorporados nos resultados financeiros mas o objectivo da empresa é conseguir economizar mais 100 milhões ao longo deste ano fiscal.
Nesse sentido, os resultados financeiros relativos ao primeiro semestre fiscal terminado a 30 de Setembro são um retrato de uma empresa que esteve prestes a cair no precipício mas que está lentamente a conseguir recuperar-se
Assim, se as perdas durante o mesmo semestre fiscal de 2007 tinham sido de 324 milhões de libras, agora foram apenas de 155 milhões de libras. Mais ainda, as receitas subiram 10 por cento para as 737 milhões de libras. A outra face da moeda é que a EMI teve que pagar 150 milhões de libras em despesas financeiras – incluindo juros no valor de 125 milhões de libras – referentes a uma dívida no montante de 2,4 mil milhões de libras. Mais ainda, as vendas de CDs físicos desceram oito por cento, situando-se agora nos 298 milhões de libras. Em consequência, a EMI viu a sua quota de mercado dos CDs diminuir dos 10,6 para os 9,8 por cento.
Mas o que parece mesmo é que a companhia está a apostar tudo no crescimento do mercado digital. Por agora essa estratégia está a dar resultados pois as vendas nesse segmento cresceram 38 por cento para os 102 milhões de libras contra 74 milhões de libras no mesmo período do ano anterior e a sua quota de mercado subiu de 11 para 12,6 por cento. No cômputo geral, os downloads e ringtones representam 21 por cento de todas as suas receitas.
Embora os CDs constituem ainda 61 por cento das receitas da EMI, a empresa espera que esta percentagem diminua para os 40 por cento ao longo dos próximos cinco anos; em contrapartida o digital deverá subir para os 30 por cento. De onde virá o resto? Do licenciamento de músicas para filmes, séries de televisão e publicidade.
(foto de paulbillett segundo licença CC-BY-SA 2.0)
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A criatividade não tem limites!!
Muito engraçado ler videojogos, mas é bem legal tb!
Parabéns pelo blog!
Obrigado