
Neste exacto momento os utilizadores com o nome Bonozevolik e olejnicev estão a ouvir um dos 11 temas que integram No Line On The Horizon, o álbum novo dos U2 que vazou há alguns dias atrás para as redes de BitTorrent graças a um descuido dos funcionários da Universal Austrália. Estes são apena dois dos mais de 10.600 utilizadores do Last.fm que acederam uma cópia ilegal do disco antes do seu lançamento comercial. Tal como eu, qualquer pessoa interessada – inclusive funcionários da RIAA – podem obter essa informação.
É claro que teoricamente é bastante difícil associar esses ouvintes a um endereço IP, emal ou morada física. No entanto, na sexta-feira passada o TechCrunch divulgou um rumor baseado numa fonte confidencial anónima segundo o qual a subsidiária da CBS estaria a facultar informação privilegiada sobre os utilizadores que tinham escutado músicas do novo registo de originais dos U2.
O que é certo é que mesmo sendo um mero boato, o artigo gerou um enorme alarmismo junto dos utilizadores da rede social de recomendação de música. Alguns começaram mesmo a apagar as suas contas do site e a apagar o seu histórico de scrobbling – isto é, as faixas que escutámos através de um leitor de música e que foram registadas pela Last.fm.
Quem não gostou mesmo nada da forma desleixada com que este rumor foi disseminado pelo blog mais influente de tecnologia foram os próprios programadores da Last.fm. Depois de ter comentado no artigo do TechCrunch, o co-fundador do site Richard Jones publicou no blog oficial da Last.fm um desmentido categórico do artigo do blogger Erick Schonfield:
Façam-nos um favor – se virem as pessoas a espalharem este rumor, indiquem-lhes este post e figam que ouviram de um amigo que o “Techcrunch está cheio de merda.”
Segundo Jones, o único tipo de dados que a Last.fm disponibiliza às editoras e artistas, para além da informação que qualquer um pode obter, consiste nos dados agregados toais de ouvintes e número de reproduções. Por sua vez, o arquitecto de sistemas Russ Garrett também rejeitou os boatos nos fóruns da Last.fm: “Nós nunca tivemos um pedido relativo a este tipo de dados da parte de quem quer que seja e mesmo se tivéssemos nunca autorizaríamos tal coisa.”
Mas embora a própria RIAA tenha também afirmado ao Ars Technica que nunca solicitou à Last.fm informação relativa aos utilizadores e que a Last.fm nunca lhe forneceu algo do género, o que é certo é que não existe fumo sem fogo. Leia-se por exemplo o comentário que o programador Jonty Wareing deixou no TechCrunch onde apela aos utilizadores que se arrependeram de apagar as suas contas que entrem em contacto com a equipa de apoio técnico.
A decisão de fazer backup dos dados apagados impulsivamente pelos utilizadores que ficaram alarmados com a peça do TechCrunch é compreensível até certo ponto. Mas e no caso das pessoas que queriam mesmo que os seus dados fossem removidos? Não estará assim a Last.fm a passar a mensagem que se preocupa pouco com a privacidade dos seus utilizadores? Quantas vezes é que isto já se passou no passado, isto é, não estará a Last.fm a guardar informação de antigos utilizadores que supostamente já não devia guardar?
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Não aconteceu nenhuma. A Last.fm não fez nenhum backup de contas de utilizadores apagadas. Simplesmente limitou-se a não destruir imediatamente e irreversivelmente a informação associada a essas contas, mas retirou-a do acesso público na mesma. A destruição destes dados será retomada dentro de poucos dias, portanto é só uma situação temporária. Esta medida pretende apenas prevenir que quem se arrependa de ter tomado uma decisão precipitada baseada numa calúnia sem fundamento se veja desprovido de todo o seu histórico musical acumulado ao longo dos anos.
O Jonty explicou isto deveras bem no seu comentário. Nunca ninguém falou em fazer backups de dados, apenas de temporariamente deixar de correr o programa que apaga esses dados.
Afonso, obrigado por teres explicado que se tratou apenas de uma suspensão temporária.
last.fm dedo duro? Imagino alguém ser preso por ouvir um álbum tão chato como o novo do U2. http://migre.me/38Z