
Enquanto que cá por Portugal as únicas vozes activas em oposição à cruzada lançada pelos representantes nacionais da indústria discográfica contra os fãs de música e os partilhadores em geral parecem ser a dos activistas do BeatsPlayFree – a associação em defesa do netaudio, netlabels e música livre -, no Brasil os artistas independentes já começam a unir os seus esforços no sentido de falar apresentar propostas realistas ao modelo de negócios cada vez mais caduco das grandes editoras.
Foi nesse sentido que no passado dia 15 de Março se reuniram em Brasília uma série de músicos, activistas e representantes de associações culturais. Formalmente, o encontro organizado pela Trupe Teatro Mágico e pela Associação de Software Livre serviu de preparação ao lançamento oficial do Fórum Música é Para Baixar” que deverá ocorrer já este Junho na cidade de Porto Alegre, por ocasião do Fórum Internacional de Software Livre (FISL).
Mas para começo de conversa, as propostas lançadas na reunião foram até bem concretas, de acordo com o que refere o Observatório do Direito à Comunicação. Uma das pedras de toque do movimento agora iniciado é que mais do que um obstáculo, a Internet deve ser vista como uma plataforma de distribuição para a música livre disponibilizada segundo licenças Creative Commons.
Eles acreditam que as ferramentas de streaming e de alojamento de música podem contribuir para enriquecer a cadeia produtiva da música, em particular a referente ao circuito discográfico independente fora dos contratos com termos exploratórios impostos pelas editoras que abusam assim da boa fé dos artistas. Entre as acções propostas encontram-se:
- construir espaços e atividades de formação para artistas sobre a legislação cultural;
- construir servidores com ferramentas de gestão para hospedagem de streaming conteúdos livres;
- combater o controle da internet e defender a internet pública com controle social;
- lutar por um novo arranjo produtivo da cultura; envolver-se na agenda da aprovação da lei de controle da internet; defender a criminalização do jabá;
A agenda do Fórum Música é Para Baixar faz tanto mais sentido na actualidade quando pensada no contexto de uma estratégia de economia solidária para todo o sector cultural baseada em princípios como colaboração, autogestão e cooperação de todos os profissionais do sector.
Embora os diálogos ainda agora tenham começado, seria bom se as editoras independentes portuguesas começassem a aprender algumas lições com as suas congéneres brasileiras em vez de continuarem a alinhar na mesma cantiga das grandes etiquetas pertencentes a grupos multimédia transnacionais segundo a qual a Internet está a aniquilar o negócio da música. O que está a aniquilar o negócio da música é a inacção, a passividade, o silêncio e a incapacidade das empresas do sector em adoptar uma estratégia específica de promoção para a Internet.
(foto de Chris & Diana segundo licença CC-BY 2.0)
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O evento vai ser aqui na minha terrinha Miguel, Porto Alegre/RS no FISL10… e o PyleMusic é a plataforma que está faltando para iniciar as mudanças, podes crer… estamos na luta, estamos com todos e todos precisam se juntar e lutar para manter a internet livre e a cultura livre, leve e solta…