O número de bandas de grande estatuto que optam por se libertar das amarras do circuito de distribuição tradicional – quase todo ele na sua totalidade controlado pelas quatro maiores editoras discográficas do mundo – não pára de aumentar. Radiohead, Nine Inch Nails e até mesmo os Marillion são os casos mais emblemáticos.
Mas quem acaba de engrossar esta lista são os norte-americanos Counting Crows, a banda natural da Califórnia criada em 1991 que em meados da década passada foi um dos nomes mais populares da Geffen Records, uma subsidiária da Universal Music Group, ao lado de nomes como Nirvana, Sonic Youth e The Sundays.
Esta semana, o vocalista Adam Duritz publicou uma mensagem no site do grupo (via Hypebot) anunciando que o seu contrato de 18 anos com a Geffen. Embora Duritz não tenha sido muito explícito em relação aos planos futuros da banda, pelo teor da mensagem é possível perceber que a ideia poderá muito bem passar por estabelecer uma relação directa com os fãs via Web:
Muitas pessoas pensam que estes são tempos difíceis para uma banda mas nós não sentimos isso. A Internet abre um mundo de possibilidades infinitas, onde os únicos limites são os limites da vossa maginação. Nós queremos explorar uma chance de reduzir o mais que possível essas fronteiras. Infelizmente, a nossa editora impediu-nos de explorar os caminhos que desejávamos e as oportunidades que pretendíamos.
Apesar dos Counting Crows já não venderem tantos discos como na década passada, eles continuam a atrair multidões de fãs fieis para os seus concertos. E é precisamente essa fonte de receitas que lhes importa mais. Talvez seja por isso mesmo que eles tenham decidido iniciar esta sua segunda vida oferecendo gratuitamente o MP3 de uma versão de “Borderline” de Madonna gravada ao vivo no Royal Albert Hall de Londres.
Mas a tradição dos Counting Crows de darem borlas aos seus fãs já vem de há muito tempo. É bom lembrar que eles foram uma das primeiras bandas de renome – juntamente com os Grateful Dead, Phish e Dave Matthews Band – a encorajar os fãs a trocarem entre si gravações-pirata (bootlegs) de concertos ao vivo da banda. Será que agora eles também vão dar música de graça ao pessoal?
(foto de It’s been so long since I’ve seen the ocean segundo licença CC-BY-NC 2.0)
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