
Haverá uma indústria da música em Portugal? Eu duvido muito e a avaliar pela descida continuada das vendas de discos neste país segundo os dados da AFP – quebra assim que deriva muito mais da inépcia dos responsáveis pelas editoras discográficas nacionais, inclusive as filiais que restam das majors, do que desse bode expiatório chamado partilha de ficheiros – se alguma vez existiu, ela está em vias de desaparecer.
Mas há quem discorde dessa opinião. É o caso dos investigadores do Centro de Estudos de Música e Dança do Instituto de Etnomusicologia da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa (INET-MD) que decidiram organizar um ciclo de seis workshops precisamente dedicados ao tema “A indústria da música em Portugal”.
A iniciativa visa oferecer “um espaço de debate em torno da Indústria da Música proporcionando o contacto entre profissionais da indústria, académicos, músicos e os mais diversos interessados.”
O programa das sessões é bastante interessante na medida em que deverá ser uma das poucas vezes em que teremos a oportunidade de escutar ao vivo três dos principais líderes da cruzada contra os partilhadores em Portugal: Tozé Brito (ex-Universal Music Portugal e actual assessor da Sociedade Portuguesa de Autores), David Ferreira (ex-EMI Music Portugal) e Eduardo Simões (presidente da Associação Fonográfica Portuguesa – AFP).
Infelizmente, não vamos ter o prazer de assistir a uma conferência com a participação dos três em simultãneo, mas mesmo assim já é melhor do que nada. Tozé Brito será o orador principal de todas as sessões que contarão com a presença de um convidado. Enquanto que David Ferreira falará a 20 de Março sobre “Editora Fonográfica: Orgânica; A&R – Da contratação à gravação”, Eduardo Simões participará no dia 17 de Abril no workshop sobre “Direitos de Autor e Conexos: Contratos, Licenças, Agenciamento e Management.”
Na notícia que a agência LUSA escreveu a respeito do evento o senhor Tozé Brito revela não só que ainda não aprendeu a respeitar os direitos fundamentais dos cidadãos mas também que anda bastante mal informado em relação à situação actual sobre a implementação da resposta gradual na União Europeia:
Quando as pessoas ou as empresas compreenderem que o fornecedor de Internet lhes veda o uso, por causa de `downloads` ilegais, o fenómeno desaparecerá”, afirmou hoje em declarações à agência Lusa, frisando que tal começa já a suceder em países como a Irlanda, a França ou o Reino Unido.
Francamente, começo a perder paciência para estes disparates cuja disseminação é serenamente propagada por jornalistas profissionais como se fossem verdades absolutas. A sério. Já não tenho tempo a perder com pessoas que não querem informar e apenas desinformam. Mas o senhor Tozé Brito vai ao ponto de dizer barbaridades ainda piores do que essa:
Tózé Brito lembra que, “através do número de identificação do computador, as operadoras de telecomunicações sabem quem faz “downloads” ilegais, podendo, por isso, cortar-lhe o acesso à Internet, e avisar as autoridades para que o computador seja apreendido”.
Em sua opinião, além das medidas legais e de tipo repressivo, as autoridades e os operadores devem fazer uma campanha de sensibilização da juventude, alertando-a para o facto de que “roubar uma música é igual a roubar um carro”.
Com este tipo de mentalidade não admira que as vendas de música em Portugal tenham descido a níveis nunca antes vistos. É que os fãs de música não gostam de pessoas que não os respeitam. Deixo ao menos aqui ficar este pedido: se alguma vez algum político lunático der ouvidos a estes conselhos (esperemos que não…), que ele tenha pelo menos o discernimento de obrigar a cortar o acesso à Internet de quem acusar incorrectamente um internauta de partilhar obras protegidas por direitos de autor.
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@vitorcunha Foi o @remixtures que foi dando umas notícias dessas: Ver http://is.gd/lXvR (e artigos relacionados). Tb ouvir http://is.gd/lWDn