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Estará o futuro do P2P nas darknets?

by Miguel Caetano on 9 de Março de 2009

Versão 5.0 do LimeWire

Passados três meses após o lançamento da versão 5.0 do LimeWire, parece que só agora é que o ArsTechnica descobriu a pólvora. A nova versão permite entre outras partilhar ficheiros apenas com os nossos contactos. De modo a possibilitar este tipo de partilha entre amigos (Friend-to-Friend ou F2F) , o software baseia-se numa série de serviços do protocolo de messaging Jabber que permitem criar uma rede privada com os nossos amigos no GTalk do Gmail ou até do Livejournal.

Tal como o OneSwarm sobre o qual eu falei aqui recentemente, o novo LimeWire protege a privacidade e a segurança do utilizador. A grande diferença é que ele não usa um sistema de onion routing que reencaminha os dados por uma série de nós de forma a impedir a identificação do destinatário e do remitente. Toda a comunicação é feita directamente.

Apesar do conceito de darknets não ser propriamente novo e de serviços Web como o Dropbox terem também começado a implementar funcionalidades como a partilha entre grupos, a verdade é que até hoje este tipo de redes privadas e secretas entre amigos constituía um território exclusivamente dominado por geeks e outros internautas com conhecimentos técnicos superiores à média.

Contudo, Nate Anderson do ArsTechnica acredita que  pelo facto do LimeWire contar com uma base de milhões de utilizadores as darknets deverão entrar definitivamente no mainstream. Segundo ele, mais do que os newbies comuns que teriam alguma dificuldade em adicionar utilizadores públicos do LimeWire à lista de contactos as darknets que o LimeWire permite formar poderiam ser um sucesso junto de grupos de estudantes universitários habituados a partilhar músicas e filmes entre si.

Mas esta tese esbarra com um grande obstáculo: apesar das mais de três dezenas de milhares de processos instaurados pela RIAA nos Estados Unidos e das propostas que visam suspender ou cortar o acesso à Internet dos partilhadores – mas que raramente vão além de meros sistemas de notificação -, os sites de BitTorrent como o Pirate Bay e o MiniNova continuam a abarrotar de utilizadores sequiosos de descarregarem uns dos outros o mais recente álbum da sua banda favorita ou o mais recente episódio da sua série de televisão preferida.

Como Janko Roettgers refere no NewTeeVee, isto quer dizer que os utilizadores não consideram que o perigo que correm seja suficientemente elevado de modo a irem ao ponto de se esconderem por detrás de redes privadas. E a verdade é que os dados falam por si, uma vez que apenas uma ínfima minoria acaba por sofrer qualquer sanção ou pena por descarregarem ficheiros ilegais. As hipóteses de serem apanhados são mínimas.

Mas mais importante do que isso, é que uma vez que as velocidades de upstream continuam ainda a ser muito lentas em comparação com as de downstream, acaba por compensar muito mais recorrer ao BitTorrent, uma vez que o número de utilizadores ligados a essa rede que possuem no seu disco rígido cópias idênticas do mesmo ficheiro anda quase sempre na casa das centenas ou mesmo milhares – excepto no caso dos conteúdos raros. Desta forma, torna-se bastante penoso aguardar horas intermináveis para que um filme ou um episódio de uma série de televisão chegue ao nosso disco rígido.

Outro inconveniente que as darknets comportam é que elas removem toda a componente social que a partilha de ficheiros transporta. Um exemplo notório dessa camada social são as salas de chat do Soulseek, o lendário programa de partilha de ficheiros especializado em música. Lembro-me ainda muito bem de ter sido na sala de IDM que fiquei a conhecer nomes como Aphex Twin, Autechre e Squarepusher. Mais recentemente, os fóruns e comentários publicados em sites de torrents – incluindo os trackers privados – continuam a desempenhar essa função de recomendação social de conteúdos.

Devido ao facto do P2P continuar a fazer parte de uma enorme zona cinza, estas conversas continuam parcialmente a decorrer na sombra. Mas creio que os produtores de conteúdos só teriam a ganhar se legalizassem a partilha de ficheiros através de uma licença voluntária global. Pensem no manancial de dados sobre os hábitos de consumo a que eles teriam acesso!

(foto de marcopacko_e segundo licença CC-BY-SA 2.0)

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