
Mais um sinal que as editoras discográficas estão em maus lençóis tanto de um lado como de outro do Atlântico: enquanto que na Grã-Bretanha as receitas geradas pelos concertos já são superiores às geradas pelos fonogramas nos Estados Unidos as pessoas estão a comprar cada vez menos CDs e a optar por alternativas legais gratuitas online como o Pandora, Last.fm, MySpace Music e Imeem, muito embora os downloads pagos do iTunes também estejam a crescer.
Estas sãos as principais conclusões a tirar de acordo com uma pesquisa ontem divulgada pela empresa de estudos de mercado NPD Group baseada numa amostra de quatro mil consumidores que revela que no ano passado menos 17 milhões de norte-americanos compraram compraram CDs nos EUA. Com essa descida, não admira ainda que as vendas de CDs tenham sofrido uma quebra de 19 por cento.
É claro que as vendas de downloads digitais continuam a crescer a um ritmo sustentado (29 por cento em 2008) a ponto de já representarem 33 por cento do total das vendas de música, tendo o número de internautas que pagaram por música digital aumentado oito milhões para os 36 milhões.
Só que as boas notícias acabam aqui: não só o números de norte-americanos que pagaram por músico desceu 13 milhões como também apenas 58 por cento dos internautas disseram ter adquirido CDs ou downloads digitais no ano passado em comparação com os 65 por cento registados em 2007.
Quem é o grande culpado desta descida? Não, escusam de apontar o dedo aos downloads ilegais a partir de P2P. Para além da actual recessão económica, a culpa está nos serviços online de streaming legal e grátis que oferecem satisfação imediata sem que os fãs de música tenham que pagar sequer um cêntimo: se em 2007 a percentagem de norte-americanos que ouviam música a partir de redes sociais era de 15 por cento, em 2008 essa percentagem foi de 19 por cento. Esta percentagem subiu mesmo de 37 para 50 por cento durante o mesmo período entre os adolescentes e 30 para 41 por cento entre os estudantes universitários.
Definitivamente, quanto mais o tempo passa mais as editoras discográficas se vêm encurraladas entre duas soluções: ou estabelecem contratos de 360 graus com os artistas segundo os quais ficam a receber uma parte de todas as receitas geradas por estes (bilhetes para concertos, merchandising, etc.) ou então terão que autorizar com a implementação de uma licença global que por uma mensalidade reduzida conceda a todos os contribuintes a possibilidade de descarregarem um número ilimitado de músicas.
(foto de partie traumatic segundo licença CC-BY-ND 2.0)
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