
O rumor de que a Universal Music Group estava a pensar lançar o seu próprio site de videoclips musicais já não é propriamente nova só que na altura em que o boato surgiu toda a gente ficou com a ideia de que Doug Morris, o patrão da Universal Music, pretendia com este site roubar alguns dólares em publicidade ao YouTube do Google.
De então para cá, começaram também a surgir uns zunzuns segundo os quais as majors tinham andado a sondar a Hulu a respeito da possibilidade do estabelecimento de uma parceria com este site de televisão online. Dando mais consistência aos boatos, a Universal aproveitou para abrir um portal de streaming de vídeo em França.
No entanto, tudo indica que a UMG tenha mudado de ideias e se encontre neste momento a negociar com o YouTube com vista ao lançamento de um site de vídeos de música que deverá chamar-se Vevo. Isto é pelo menos o que fontes confidenciais disseram ao Wall Street Journal e à CNET.
O novo portal contará com vídeos, entrevistas e outros conteúdos relacionados com artistas ligados à maior editora discográfica do mundo, ao passo que o YouTube irá fornecer a infra-estrutura tecnológica bem como o sistema de venda de publicidade. Até ao momento, as conversações parecem apenas envolver a Universal Music e a YouTube e não depende da participação de outras editoras, conforme o que Peter Kafka do MediaMemo conseguiu apurar. De qualquer modo, as outras majors poderão sempre optar por se juntar posteriormente.
Para a Universal, o Vevo poderá servir como uma oportunidade para separar os vídeos dos seus artistas das carradas de vídeos amadores disponibilizados pelos utilizadores que se podem encontrar aos montes pelo YouTube. Na medida em que os anunciantes não estão dispostos a pagar muito pelos anúncios que acompanham esse tipo de conteúdos, a UMG pretende retirar mais dinheiro com os anúncios agregando os seus vídeos num único sítio.
Faz sentido. O que não faz tanto ou nenhum sentido é criar um site próprio para o efeito como os artigos dão a entender. Os vídeos da Universal não têm valor nenhum ou quase nenhum se eles não tiverem disponíveis num local que os fãs de música e outros utilizadores já costumam frequentar. Querem um melhor local que o YouTube?
Talvez a solução mais acertada passe precisamente por abrir uma secção própria no YouTube exclusivamente dedicada à música a exemplo do que o MySpace fez quando lançou o seu MySpace Music. Aliás, apesar do YouTube não ser propriamente uma máquina de gerar dinheiro, a verdade é que a Universal já deve ter ganho umas boas dezenas de milhões de euros graças ao site de partilha de vídeos…
A questão que se coloca é se as editoras independentes serão ou não excluídas desta nova secção de música. Mais importante do que isso: caso o novo site acabe por resultar igualmente numa joint-venture, será que as indies terão direito a uma parceria ou serão mais uma vez deixadas de fora?
Seja como for, o facto da Universal ter registado o domínio Vevo.com a 20 de Novembro de 2008 é mais uma prova de peso a favor da teoria de que a editora está mesmo apostada em criar um site novo de raiz. Em todo o caso, não me parece que essa seja uma decisão muito sensata. Ainda para mais quando hoje mesmo surgiu a notícia do fecho do PluggedIn, um site lançado em Abril de 2008 que contava com 11 mil vídeos com qualidade HD pertencentes à Universal, Sony Music e EMI. Mesmo com os conteúdos de três das quatro majors – a Warner quis ficar de fora – o PluggedIn acabou por não ser o “Hulu da música” que os seus responsáveis desejavam. Isto só vem demonstrar que não é possível lançar um site de vídeos bem sucedido se ele não tiver uma comunidade de utilizadores fiéis.
Os boatos sobre as actuais negociações entre a UMG e o YouTube surgem numa altura em que o actual contrato com a editora e o site está prestes a expirar e alguns meses depois da Warner Music Group ter abandonado a mesa das negociações com o site de partilha de vídeos com vista à renovação do seu contrato de licenciamento o que resultou na remoção e silenciamento de inúmeros vídeos relacionados com os seus artistas. No mês passado, a Sony Music optou por renovar o seu contrato com a YouTube. Por seu lado, a EMI continua ainda em negociações.
Nisto tudo é engraçado reparar, como o analista da Forrester Mark Mulligan nota, que a Universal Music tem sido a única das quatro majors a apostar em quase todas as oportunidades que a música online oferece, sendo sempre a primeira a assinar. Quer seja com serviços de streaming de música como o Imeem quer com subscrições como o Comes With Music da Nokia. Realmente, a UMG parece ter aprendido a grande lição de sobrevivência para uma etiqueta de música no século XXI: a diversificação das fontes de receitas.

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{ 3 comments… read them below or add one }
Excelente
Fabchannel – http://thenextweb.com/2009/03/06/live-concert-rec...
A central musical continua!
Muito bom, parabens