
Tal como se previa, o dia de hoje ficou marcado pela entrada em vigor da nova política de preços do iTunes. O que isto significa na prática é que as músicas mais populares passaram a custar mais 30 cêntimos para 1,29 euros. Em contrapartida, a Apple desceu o preço de algumas músicas de fundo de catálogo para 69 cêntimos.
Por agora não se sabe muito bem o que é que mudou, se houve um aumento generalizado dos preços ou se para além dos êxitos de vendas tudo ficou basicamente na mesma.
Mas para já os utilizadores norte-americanos é que estão a sentir mais na carteira os efeitos do novo tarifário. De acordo com o Idolator, cerca de um terço das músicas que constam do Top 100 da loja do iTunes passaram a custar 1,29 dólares, tendo seis das dez faixas do Top 10 subido igualmente de preço.
Os portugueses tiveram melhor sorte já que apenas 15 das 100 músicas mais vendidas do iTunes passaram a custar mais. No Top 10, também só duas músicas sofreram um aumento (“This Is The Life” de Amy MacDonald e “Poker Face” de Lady GaGa).
Quanto a músicas abaixo dos 69 cêntimos, descobri algumas aqui e ali dos Velvet Underground e Sonic Yout. O Hypebot cita fontes confidenciais próximas das quatro grandes editoras que garantem que o preço de milhares de temas antigos foi reduzido para a tarifa mais baixa.
As quatro maiores editoras discográficas do mundo (EMI, Warner Music Group, Universal Music Group e Sony Music Group) sempre defenderam uma política de preços variáveis para os downloads digitais porque isso lhes permite aumentar o valor dos álbuns aos olhos dos fãs de música – que no caso do iTunes continuam inalterados – e porque esse modelo é fiel ao princípio da oferta e da procura que esta na raiz da economia neoclássica.
Acontece que este argumento esfrangalha-se em bocados quando aplicado a um contexto de um ambiente de abundância como o da Internet onde a oferta é infinita e onde todas as tentativas de criar artificialmente escassez apenas porque é melhor para os nossos próprios interesses privados acabam por falhar rotundamente.
Ao obrigar a Apple a subir os preços sem oferecer valor adicional aos fãs de música como imagens, letras, entrevistas ou mesmo vídeos, as majors só estão a atolar-se ainda mais na lama. Se os utilizadores do iTunes não estivessem tão habituados à loja da Apple não seria de admirar se muitos trocassem os downloads pagos por alternativas grátis e ilegais. É que a procura pode ser elevada mas a oferta é infinita.
Disso mesmo se apercebeu a loja britânica de MP3 da Amazon que aproveitou para reduzir o preço de cerca de 100 dos seus temas mais populares para 29 pences, de acordo com o The Register. Aliás, nos Estados Unidos a campanha agressiva de preços levada a cabo pela Amazon MP3 contra o iTunes já começa a fazer-se sentir ligeiramente: segundo a NPD Group no ano passado 16 por cento dos norte-americanos que adquiriram música em formato digital optaram pela Amazon. Mas mesmo assim, a gigante do comércio electrónico ainda tem um looongo percurso a percorrer até “comer” os 87 por cento do iTunes.
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