O primeiro resultado prático da aquisição da FoxyTunes pela Yahoo em Fevereiro de 2008 está finalmente disponível ao público. Refiro-me à nova versão do Yahoo Music, o site de música do portal da Web, que foi lançada hoje e que oferece mais de 500 mil páginas de artistas agregando dados de quase todos os cantos da Web: imagens do Flick, vídeos do YouTube, músicas da Rhapsody e links para a Last.fm, iTunes, letras das músicas e bilhetes para concertos do próprio Yahoo, Amazon, etc.
O modelo é fortemente inspirado no FoxyTunes Planet. Em vez de um jardim murado ou condomínio fechado sem vias de acesso para qualquer ponto fora do seu território, o Yahoo decidiu voltar a fazer aquilo que sempre soube fazer melhor: agregar informação e funcionar como um directório capaz de organizar o “caos” da Web para o utilizador.
Por outro lado, desta forma a empresa consegue assim evitar todas as complicações com o licenciamento de catálogos de detentores de direitos inerentes ao papel tradicional de um fornecedor de conteúdos.

O que acho mais interessante nesta jogada da Yahoo é que a empresa parece ter evitado os erros cometidos pela Amazon e a Beatport com as suas enciclopédias colaborativas, a SoundUnwound e a BeatWiki, respectivamente. Apesar de fomentarem a colaboração de voluntários, estes dois projectos cometem o pecado capital de transmitirem a pretensão de que toda a informação que importa ao consumidor está contida dentro dos seus limites.
Para comparar as diferenças nas abordagens seguidas por cada uma, basta visitar a página do guru chileno do techno minimal Ricardo Villalobos no Yahoo Music, na SoundUnwound e na BeatWiki. Não sei qual a vossa opinião, mas a versão do Yahoo Music foi a que mais me agradou.
A única grande mancha que eu tenho a apontar nesta nova versão é que a música é proveniente da Rhapsody, o que quer dizer que apenas os residentes nos Estados Unidos podem escutar os temas. Mas e se o Deezer criasse uma aplicação para o Yahoo Music? Pensam que isso não é possível? Pois para vossa informação, a empresa pretende dentro em breve disponibilizar uma API pública do Yahoo Music aos programadores independentes.
Outra funcionalidade prevista está também a possibilidade de bandas e editoras independentes criarem as suas próprias páginas de artistas com possibilidade de integrar conteúdos de blogs. Com isto, só fica a faltar ao Yahoo Music uma componente de rede social. A questão é que é essa nunca foi a missão do Yahoo.
Mas no fundo, o que é que a empresa tem a ganhar com tanta abertura? Em termos de ganhos monetários directos, apenas uma percentagem sobre as vendas de CDs, downloads e bilhetes para concertos. O resto é tráfego. Mas é o tráfego que importa a uma empresa como a Yahoo que vai conseguindo – mais ou menos… – da publicidade.
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