O Qtrax ainda mexe…

by Miguel Caetano on 13 de Abril de 2009

Era uma vez um serviço de música financiado por publicidade chamado Qtrax que em Janeiro de 2008 organizou uma festa milionária durante o MIDEM de Cannes, a maior feira da indústria musical. Nessa altura, os responsáveis pelo serviço encantaram boa parte da comunicação social especializada em tecnologia e música ao prometerem mais de 25 milhões de downloads de músicas pertencentes às quatro maiores editoras discográficas do mundo.

Não demorou muito tempo para percebermos que tudo não passava de um grande exagero por parte da empresa que afinal não tinha qualquer acordo de licenciamento com nenhuma das majors. No final, ficámos mesmo a saber que a factura das festividades ultrapassou o um milhão de dólares. A partir daí, foi uma lenta caminhada para tentar convencer as editoras a assinarem. Lentamente, elas lá foram dando o braço a torcer. A ponto de em Junho do ano passado o Qtrax ter celebrado novamente o seu lançamento.

Mas como só em Fevereiro deste ano é que a companhia conseguiu a “bênção” de todas as quatro grandes, os seus proprietários resolveram por bem anunciar a abertura oficial do serviço nos Estados Unidos, de acordo com o Wall Street Journal. Sim, leram bem: por agora apenas os utilizadores norte-americanos poderão descarregar os milhões de músicas (já não são bem 25 milhões que seriam supostamente pescados a redes de partilha de ficheiros…) que o Qtrax aloja.

Como se isto não bastasse, todas as músicas se encontram acorrentadas a medidas de restrição tecnológica – vulgo DRMs – que impedem a transferência dos ficheiros para outros leitores de música. Desnecessário será dizer que iPods, iPhones e Macs estão fora. Para além disso, o Qtrax exige a instalação de um software cliente baseado no Songbird, 0 leitor de música assente na mesma plataforma do Firefox desenvolvida pela Fundação Mozilla.

O mais irónico é que a Brilliant Technologies – a empresa-mãe da Qtrax – escolheu relançar o serviço apenas algumas semanas depois do encerramento do SpiralFrog, outro serviço de downloads música financiado por publicidade que não conseguiu pagar as suas dívidas. Tendo em conta que o custo do licenciamento de downloads de música é bastante superior ao do licenciamento do streaming de música e que mesmo os sites de streaming estão com a corda na garganta, é fácil de constatar que a Qtrax terá uma vida muito curta.

Já agora, se se querem rir um bocado leiam a descrição de Mark Barthel do Idolator das peripécias pelas quais passou para descarregar a sua primeira música do Qtrax. Ao todo, foram cerca de 34 passos a mais de 45 minutos.

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1 Gerson 14 de Abril de 2009 ás 19:28

Adoro ler estas noticias Miguel… o que me surpreende é que tem gente que ainda acredita em Papai Noel… e pior ainda, tem investidor que também acredita em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa e colocam uma grana altíssima nesses negócios. rsrsrsrs

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