Não é todas as semanas que surgem casos repetidos de novos financiamentos multimilionários de serviços de música online. Quase ao mesmo tempo que a SoundCloud, a francesa Goom Radio conseguiu recolher 12,2 milhões de euros em fundos de investimento de uma série de empresas de capital de risco como a Wellington Partners Venture Capital, Elaia Partners e Partech International.
Este dinheiro irá servir para a empresa de rádio online financiada por publicidade aumentar a sua aposta nos Estados Unidos, país onde abriu em modo beta no passado mês de Março. Em França, a empresa foi originalmente criada em 2007 por dois antigos executivos da rádio NRJ Roberto Ciurleo e Emmanuel Jayr.
Em Outubro de 2008 a companhia lançou ao público a Goom Radio, contando actualmente com 100 colaboradores profissionais responsáveis por 17 estações de rádio. Para além disso, existe também uma plataforma online chamada My Goom que permite que qualquer utilizador crie a sua própria estação de rádio.
Há cinco anos atrás este modelo híbrido entre editores profissionais e conteúdos programados pelos utilizadores teria feito todo o sentido. Nessa altura, a publicidade ainda estava a crescer e todo o empreendedor de música online achava que ia ficar rico à conta de um serviço grátis. Mas isso foi antes da Pandora passar a permitir apenas o acesso a utilizadores residentes nos Estados Unidos, antes da Last.fm anunciar que pretende cobrar três euros mensais pelo seu serviço de rádios personalizadas, antes da ascensão e declínio do Imeem e antes da Spotify propor uma subscrição mensal no valor de 10 euros mensais para proporcionar uma experiência livre de publicidade.
Mas então o que é que a Goom Radio tem de tão especial para atrair assim de mão beijada uma pipa de massa? Não sei. Sinceramente, não sei. Tentei experimentar o serviço mas assim que lá entrei começei a ouvir música Pop de plástico aos altos berros de uma senhorita muito sexy que passa nas rádios tradicionais e na MTV mas cujo nome eu desconheço. Quando tentei criar uma estação de rádio deparei-me com um batalhão de perguntas de registo a partir de um interface totalmente fraco em termos de usabilidade.
Também não admira muito, se tivermos em conta que para além dos senhores da NRG a Goom Radio conta como director executivo da sua divisão americana Rob Williams, antigo presidente e director de marketing da Clear Channel Nova Iorque. Não por coincidência, a Clear Channel é a empresa que controla o maior número de estações de rádio nos Estados Unidos.
Tal como MG Siegler refere no TechCrunch, também me parece que os senhores da Goom estão mais interessados em impingir a sua versão da rádio tradicional à geração digital do que em “reinventar a rádio para a geração da Internet.” O resultado final é um site pegajoso, carregadinho de flash, de difícil navegação. E pensar que alguém pagou 12,2 milhões de euros por isto… Adeus, bye bye.
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