Sul-coreanos vítimas da resposta gradual contra os downloads ilegais

by Miguel Caetano on 17 de Abril de 2009

Coreia do Sul também vai expulsar partilhadores da InternetNo mês passado escrevi aqui que a Coreia do Sul estava a ponderar seriamente a possibilidade de implementar um sistema semelhante à resposta gradual em três etapas actualmente em discussão em França com vista a cortar a ligação à Internet dos acusados de partilharem repetidas vezes ficheiros protegidos por direitos de autor.

A má notícia é que a Assembleia Nacional aprovou no passado dia 1 de Abril a revisão à sua lei de direitos de autor que prevê penas mais duras contra a violação dos direitos de autor não só por parte dos utilizadores individuais mas também dos próprios sites e serviços que alojarem esse tipo de conteúdos ilegais.

Segundo o jornal Korea Times (via Ars Technica), o esquema é exactamente o mesmo: graças a nova provisão que deverá entrar em vigor mais para o final do ano, o Ministério da Cultura, Desporto e Turismo passa a ter o poder de encerrar qualquer fórum online ou site por um período máximo de seis meses depois do seu administrador ser avisado uma terceira vez e não fizer nada para impedir a disponibilização de ficheiros ilegais.

Na prática, este sistema acaba por ser ainda mais arbitrário e grave que o modelo francês em que a lei “Criação e Internet” apenas concede esse tipo de poder a uma alta autoridade denominada HADOPI. Do mesmo modo, os utilizadores individuais correm também o risco de verem o seu nome constar de uma lista negra de modo a que  não possam estabelecer qualquer contrato com outro fornecedor de acesso à Internet.

No caso de grandes sites que dependem de conteúdos fornecidos por utilizadores, obviamente que isto implica dedicar ainda mais recursos em termos de software e pessoal para monitorizar e remover conteúdos protegidos por direitos de autor.

Situação na Coreia do Sul prenuncia o cenário vindouro no resto do mundo

O pior de tudo é que às más notícias provenientes da Coreia do Sul não ficam por aqui. No mesmo dia da votação da emenda à lei de direitos de autor entrou em vigor uma nova lei conhecida por Lei da Ciberdifamação que obriga a que os sites com mais de 100 mil visitantes únicos diários verifiquem o nome verdadeiro e número de bilhete de identidade da pessoa sempre que esta tentar fazer o upload de ficheiros ou deixar um comentário.

Felizmente que desta vez o Google tomou a melhor decisão e preferiu bloquear todos os uploads de vídeos e comentários no site do YouTube na Coreia do Sul em lugar de obrigar os utilizadores a cederem a sua informação. Segundo a empresa, a lei vai contra os princípios de defesa da liberdade de expressão na Internet. Mas como o Google não é parvo, ao mesmo tempo optou por aconselhar todos os utilizadores do site de partilha de vídeos naquele país asiático a fazerem uploads de vídeos e a deixarem comentários nas versões do YouTube para outros países.

Esta recente deriva da Coreia do Sul no sentido de atentar contra e reprimir as liberdades civis dos internautas só pode ser encarada como um mau prenúncio do que está por aí por vir para o resto do mundo. Não nos devemos esquecer que estamos a falar do país com uma das maiores penetrações de banda larga no mundo (3o por cento das ligações à Internet segundo a OCDE) e em que cerca de 39 por cento das ligações de banda larga já usam fibra óptica (ceca de 12,2 por 100 habitantes.

Mas será o controlo total panóptico à Big Brother o inevitável destino de todas as sociedades quase totalmente ligadas em rede? Se a resposta for afirmativa, é igualmente de esperar que os sul-coreanos sejam também os primeiros a arranjar esquemas de minar esses mecanismos de controlo. Quem não sabe não serão eles a inventar um  sistema de BitTorrent totalmente descentralizado baseado em trackers e motores de pesquisa distribuídos mas que sejam capazes de apresentar resultados relevantes e abrangentes?

(foto de privatenobby segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0)

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1 Augusto 18 de Abril de 2009 ás 17:29

Quantas partes da Internet irao sobreviver se esta moda pegar? Iremos ficar restritos as redes chatissimas de relacionamento dito social, onde predomina os recados e conversas em geral sem conteudo, Sites Oficiais etc. Sera que realmente estes bloqueios farao subir as vendas dos discos e filmes nas lojas, com o baixo poder aquisitivo das populacoes? Com meu redimento (estou considerando so meu caso pessoal) poderei comprar no maximo uns 3 cds por ano, o que me privara de ouvir meus cantores favoritos (coisa que me foi muito favorecida pela internet) e vou voltar a ouvir as emissoras Fm e gravar musicas em fitas cassetes. Ou entao, mesmo com o discurso de que pirataria e crime, que sustenta o crime organizado, que acaba com empregos e outras pecas de propaganda veiculadas atualmente veiculadas nos meios de comunicacao, vou voltar de novo aos piaratas da esquina, que vendem cds a 3 por 5,00 reais. Afinal sou aposentado e ganho pouco, mas tenho o mesmo direito de todo mundo, de gostar das coisas boas da vida, ate a musica.

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2 Paulo Rená 27 de Julho de 2009 ás 17:27

Deu no @remixtures em abril: “Sul-coreanos vítimas da resposta gradual contra os downloads ilegais” http://is.gd/1P038 RT @_arles

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