Tráfego Web na Suécia: uma história de desinformação & propaganda

by Miguel Caetano on 24 de Abril de 2009

Após a entrada em vigor a 1 de Abril da nova lei que transpôs para o quadro legislativo sueco a Directiva Europeia de Aplicação dos Direitos de Propriedade Intelectual (IPRED), muitos órgãos de comunicação social apressaram-se a divulgar uma descida superior a 30 por cento do tráfego de Web relativo à Suécia.

Como é óbvio, esta notícia deve ter sido muito bem recebida junto dos executivos das grandes editoras discográficas e das produtoras de cinema de Hollywood. A mensagem era clara: os internautas suecos deixaram-se intimidar com os potenciais efeitos desta lei que permite que todos os detentores de direitos  solicitem a um tribunal uma autorização para obter junto do fornecedor de acesso à Internet a identidade do utilizador associado a um endereço IP envolvido na transferência de conteúdos ilegais.

Em resultado deste receio justificado, eles passaram a utilizar menos o Pirate Bay e outros sites de BitTorrent para partilharem entre si ficheiros protegidos por direitos de autor. Desta forma, a indústria de entretenimento via legitimada a sua forma de actuação centrada na disseminação de medo, incerteza e dúvida. E no final, estes dados poderiam servir para exportar a mesma medida para outras zonas do globo em que as autoridades e os legisladores são mais reticentes em conceder tanto poder a entidades privadas.

Mas será que as coisas se passaram mesmo assim? Um artigo publicado esta semana pela Digital Music News suscita bastantes dúvidas a este respeito. Isto porque a Netnod, a empresa sueca de monitorização de tráfego que serviu de fonte à BBC para estes dados não monitoriza exclusivamente o tráfego Web dentro da Suécia.

Segundo o que o executivo da empresa Nurani Nimpuno afirmou, a firma não possui quaisquer dados exclusivamente relativos àquele país escandinavo nem proferiu quaisquer declarações nesse sentido.

Os dados da Netnod provêm de seis Internet Exchange Points (IXPs) espalhados por cinco cidades suecas. Um IXP consiste numa infra-estrutura física que permite que vários ISPs troquem tráfego entre as suas redes por intermédio de acordos de peering.

Uma vez que vários ISPs estrangeiros participam nesses IXPs, não existe qualquer possibilidade de saber ao certo qual a percentagem de tráfego de Internet exclusivamente sueco presente nos dados recolhidos pela Netnod. Para além disso, é bastante difícil fazer uma análise desse tipo porque a actividade online não se encontra restringida por fronteiras nacionais.

Isto significa que até prova ao contrário, tudo não passou ou 1) de algum equívoco de um jornalista bem intencionado mas menos familiarizado com a tecnologia; 2) uma manobra de pura desinformação e propaganda a mando da indústria de entretenimento com vista a atemorizar os mais ingénuos. Neste último caso poderá muito bem ter sido uma profecia “auto-criadora” gerada para instigar o medo.

(foto de Håkan Dahlström * segundo licença CC-BY-NC-ND 2.0)

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{ 3 comments… read them below or add one }

1 remixtures 24 de Abril de 2009 ás 21:35

POST: Tráfego Web na Suécia: uma história de desinformação & propaganda http://tinyurl.com/csw8zh

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2 Mr. Steed 24 de Abril de 2009 ás 21:41

RT @remixtures: POST: Tráfego Web na Suécia: uma história de desinformação & propaganda http://tinyurl.com/csw8zh

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3 Gerson Ramos 25 de Abril de 2009 ás 15:56

aquele tráfego da Suécia que falaram que tinha diminuido por conta da condenação do Pirate Bay era falso http://migre.me/Gqk

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