Os escritores também apoiam o Partido Pirata

by Miguel Caetano on 28 de Maio de 2009

Lars Gustafsson

Se as sondagens revelam uma nítida progressão nas intenções de voto no Partido Pirata a ponto deste se arriscar a tornar-se na terceira maior força política sueca com as próximas eleições europeias de 7 de Junho, a verdade é que a comunicação social tradicional tem frequentemente divulgado a mensagem de que o Piratpartiet só tem conseguido cativar o eleitorado mais jovem.

Mas com a recente declaração de voto a favor do Partido Pirata do escritor e ex-professor de filosofia Lars Gustafsson, o cenário poderá mudar de figura. Gustafsson é considerado um dos autores mais prolíficos autores suecos, com uma vasta obra que se estende desde a poesia aos romances, passando pela crítica literária.

Nascido em 1936 numa cidade a cerca de 100 quilómetros a oeste de Estocolmo, em 1998 obteve um doutoramento em filosofia, tendo publicado o seu primeiro livro em 1957. Ao longo de várias décadas, ele foi professor de Filosofia e Escrita Criativa na Universidade de Austin no Texas. Em 2006,  decidiu reformar-se e voltar para a sua terra natal, escrevendo. Desde então, começou também a escrever regularmente num blog pessoal.

Esta semana, Gustafsson publicou um artigo de opinião no jornal Expressen onde explica porque é que o direito de autor deixou de fazer sentido e porque é que nas próximas eleições europeias vai votar no Partido Pirata. Embora o artigo original esteja em sueco, o Rasmus Fleischer publicou uma tradução para inglês do texto no seu Copyriot. Embora a tradução não esteja perfeita, é perfeitamente possível entender o essencial da mensagem deixada pelo intelectual aos seus concidadãos.

No seu artigo, o intelectual começa por retroceder no tempo para traçar um paralelismo entre a situação actual em que os poderes instituídos se sentem tentados a cercear a liberdade e a privacidades das pessoas na Internet em resultado de ligações perigosas com as indústrias dependentes do direito de autor com narrativas míticas e factos do passado.

Gustafsson faz uma referência especial aos combates a favor da liberdade de imprensa na França, durante as décadas que precederam a Revolução francesa. Tal como no século XVIII, “está a emergir um novo mundo de ideias que não teria sido possível sem o desenvolvimento tecnológico.” Naquela altura, também a Enciclopédia de Diderot e d’Alembert foi proibida, panfletos e equipamento de imprensa confiscados e indivíduos detidos: “Em retrospectiva, sabemos que isso não ajudou (o poder). Pelo contrário, o aumento da censura e das rusgas às tipografias tiveram um efeito estimulante sobre as novas ideias e fizeram-nas propagar ainda mais rapidamente.”

O escritor acredita que apesar do Parlamento Europeu ter aprovado a emenda anti-resposta gradual, tal não significa que a liberdade da Internet e a privacidade estão a partir de agora salvaguardadas. Na sua opinião, não se trata apenas de privilegiar o acesso de todos às músicas e aos filmes em detrimento dos interesses de uma minoria composta por grandes editoras e estúdios de cinema, mas sim de patentes solicitadas por privados que afectam a saúde dos cidadãos:

O que é que as patentes das grandes firmas farmacêuticas sobre os medicamentos contra a SIDA significaram para o terceiro-mundo? E o que dizer a respeito das pretensões da Monsanto em controlar os direitos sobre as colheitas e os porcos? Cada sociedade deve chegar a um equilíbrio entre interesses antagónicos e toda a tentativa hipócrita de ignorar isso não tem qualquer sentido.

(…)

A crescente defesa da liberdade de expressão alargada na Internet, dos direitos civis materiais cuja formação estamos a assistir em país após país é o início de – tal como da última vez no início do século XVIII – um liberalismo que é transportado pela tecnologia e por isso mesmo emancipado.

Gustafsson não é o único autor sueco a manifestar a sua adesão à causa do Partido Pirata. A escritora Unni Drougge é um deles, tendo mesmo chegado a discursar durante um discurso do Partido Pirata, de acordo com o Torrent Freak. Recentemente, ela escreveu mesmo um editor onde afirmou ter disponibilizado o seu mais recente livro para expressar o seu apoio incondicional ao Pirate Bay.

(foto de torre.elena segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0)

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1 Fábio Alexandre 29 de Maio de 2009 ás 16:46

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