A indústria de entretenimento quis fazer da condenação dos responsáveis pelo Pirate Bay uma grande vitória mas a verdade é que as contas poderão sair-lhe muito furadas. Recentemente referi aqui que o Partido Pirata Sueco estava a caminho de assegurar um lugar no Parlamento Europeu, com uma sondagem de opinião a conceder-lhe 5,1 por cento das intenções de voto.
Na altura, os piratas suecos ainda estavam ligeiramente atrás do Partido do Centro. Só que agora a posição inverteu-se. Neste preciso momento, o Piratpartiet conta com 43672 militantes face a 43211 do Centern. E se o ritmo de crescimento do número de adesões continuar ao nível das últimas semanas, é bastante provável que o Partido Pirata consiga ainda superar os 54858 dos conservadores do Partido Moderado.
Embora seja algo duvidoso que os piratas alcancem os Partido Social Democrata ainda antes das eleições europeias, não é qualquer força política que quase que consegue triplicar o seu número de militantes. Mas existem no entanto dois importantes obstáculos que poderão dificultar o desempenho do partido nas urnas, como reconheceu o líder Rick Falkvinge numa entrevista ao TorrentFreak.
Um dos problemas é que na Suécia são os próprios partidos – e não uma comissão eleitoral – que devem entregar por mão os boletins de voto a todas as sete mil urnas eleitorais. Por fim, o outro obstáculo refere-se à necessidade de convencer os militantes a irem de facto votar no dia de eleições.
Na opinião de Falkvinge, sites e trackers de BitTorrent como o Pirate Bay devem ser considerados legalmente como intermediários que não podem ser responsabilizados pelos conteúdos que transmitem. Em segundo lugar, ele também defende que o direito de autor deve ser reduzido de modo a abarcar apenas as actividades comerciais. Desta forma, a legalidade do Pirate Bay estaria assegurada, já que a acusação que pende sobre o site refere-se apenas à facilitação da infracção aos direitos de autor.
Quanto ao futuro a médio prazo, Falkvinge é da opinião que o Partido Pirata irá conseguir um lugar no parlamento sueco nas próximas eleições legislativas. Esperemos que tal como a IFPI pretende fazer com que a sentença contra o Pirate Bay na Suécia funcione como um precedente legal para outras possíveis acções judiciais contra o site noutras partes da Europa, também o bom desempenho dos piratas suecos no seu país sirva de inspiração a outros partilhadores e activistas espalhados pelos quatro cantos do continente europeu.
Actualização: de acordo com uma nova previsão dos resultados das eleições europeias na Suécia divulgada pelo jornal sueco The Local (via ZeroPaid), o Partido Pirata sueco deverá ser o terceiro mais votado, esperando-se que fique apenas atrás dos Sociais Democratas e dos Moderados. Elaborado por investigadores das prestigiadas instituições de ensino superior London School of Economics e Trinity Collegen de Dublin juntamente com a empresa de relações públicas Burston-Marsteller, o estudo refere ainda que os piratas escandinavos deverão alcançar 8,5 por cento dos votos dos eleitores, o que será suficiente para eleger dois eurodeputados. Até às eleições, prometo continuar a acompanhar a evolução da popularidade do Piratpartiet.
(foto de Matti Kollu segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0)

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