Há cerca de um mês atrás, Will Page – economista-chefe da sociedade britânica de gestão colectiva de direitos de autor PRS for Music – e Eric Garland – director executivo da empresa de monitorização dos conteúdos em circulação nas redes de P2P Big Champagne - publicaram um estudo apontando para a inexistência de uma cauda longa nas redes de partilha de ficheiros
Após efectuarem uma pesquisa de 12 meses aos hábitos de downloads ilegais, os investigadores concluíram que 95 por cento das músicas foram responsáveis por apenas 20 por cento das partilhas efectuadas nas redes P2P. Contudo, na altura eu fiquei um tanto ou quanto em dúvida com os resultados porque aparentemente o estudo apenas abrangeu redes e sites P2P de acesso público como o Pirate Bay e ignoraram os trackers privados de BitTorrent.
Ora é precisamente nestas comunidades fechadas a olhares indiscretos e de acesso apenas por convite da parte de quem já é membro que se podem encontrar conteúdos dedicados aos mais diversos nichos: desde anime japonês a música independente, passando por cinema europeu de autor, Bollywood, ebooks, séries de televisão, etc. Na verdade, quase que aposto que por mais obscuros que sejam os vossos gostos existe por essa Web fora um tracker privado à vossa espera capaz de satisfazer as vossas obsessões.
Apesar da existência de rácios de partilha que obrigam os membros a disponibilizar uma determinada quantidade de dados por cada Gigabyte que descarregarem – o que leva a que os conteúdos mais populares sejam mais descarregados pois são aqueles que permitem aumentar o rácio -, o facto de se tratarem de comunidades especializadas encoraja as pessoas a contribuirem voluntariamente com conteúdos menos populares.
Esta é a principal conclusão de “Olson’s Paradox Revisited: An Empirical Analysis of File-sharing Behavior in P2P Communities” (O Paradoxo de Olson Revisitado: Uma Análise Empírica do Comportamento da Partilha de Ficheiros nas Comunidades P2P – via NewTeeVee), um estudo de Sylvain Dejean, Thierry Pénard e Raphaël Suire, três investigadores da Universidade de Rennes, que analizou o impacto do tamanho do grupo nas contribuições voluntárias em 42 trackers privados de BitTorrent.
Segundo eles, “os incentivos individuais conducentes à contribuição voluntária tendem a diminuir com o tamanho de uma comunidade de P2P. Contudo, os contributos voluntários tendem a aumentar à medida que o tamanho da comunidade aumenta.” Em suma, em vez de se irem concentrando em torno de uma pequena selecção de conteúdos mais populares à medida que o seu número de membros cresce, os trackers privados de BitTorrent acabam por oferecer um catálogo mais vasto de ficheiros que se encontram mais facilmente disponíveis.
Outra observação dos economistas franceses que coincide com uma conclusão de um estudo anterior de investigadores da Universidade Técnica de Delft na Holanda é que os rácios podem por vezes ser mais prejudiciais do que benéficos. Apesar dos sites com rácios tendem a encorajar um maior número de pessoas a partilhar ficheiros, o número de ficheiros partilhados tende a ser inferior do que nos trackers com rácios menos restritivos. O ideal será então alcançar um equilíbrio em termas regras de rácio e de funcionamento que fomentem não só a partilha mas a partilha de um maior número de ficheiros.
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Texto legal: A cauda longa do P2P está nos trackers privados de BitTorrent
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