Resposta gradual: Conselho Constitucional francês diz não ao corte da Internet

by Miguel Caetano on 10 de Junho de 2009

O governo de Nicolas Sarkozy sofreu hoje um duro golpe quando o Conselho Constitucional francês rejeitou grande parte do conteúdo da lei “Criação e Internet” mais conhecida por HADOPI, em referência à Alta Autoridade encarregada de implementar um sistema em três etapas contra a partilha de ficheiros.

Os planos iniciais de suspender a ligação à Internet de todos os internautas apanhados três vezes seguidas a descarregar ficheiros não autorizados por um período de um mês a um ano foram pura e simplesmente arrasados. A decisão de inconstitucionalidade pode ser lida na sua integridade a partir do próprio site do Conselho Constitucional mas o jornal Le Monde publicou um resumo do texto. Para uma análise pormenorizada, leiam este artigo do Numerama.

O Conselho Constitucional fundamenta a sua decisão afirmando que a lei viola os artigos 5, 9 e 11 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, nomeadamente no que se refere ao princípio da liberdade de expressão e comunicação, bem como da presunção de inocência.

Tal como a recente tomada de posição pelo Parlamento Europeu, o comité de sábios que conta com os ex-presidentes Jacques Chirac e Valéry Giscard d’Estaing entre os seus membros fez questão de sublinhar que a Internet constitui um direito fundamental pelo que apenas um juiz de direito – e não uma entidade administrativa como a HADOPI – possui a autoridade necessária para privar os cidadãos do seu acesso.

Na prática e apesar da lei ter sido aprovada a 13 de Maio pelo Senado, a resposta gradual deverá limitar-se ao envio de notificações, um sistema semelhante ao acordado em Julho do ano passado pelos ISPs britânicos e titulares de direitos. Mas a autorização desse “papel pedagógico” por parte da HADOPI foi o suficiente para a ministra francesa da Cultura Christine Albanel se congratular com a decisão do Conselho Constitucional.

E uma vez que já se suspeitava desde há alguns dias que os conselheiros planeavam censurar fortemente a lei, Albanel até já tinha truque na manga para contornar todas as objecções levantadas. Com efeito, ela pretende propor ao Parlamento uma disposição suplementar que atribua a um juiz a capacidade de ordenar a suspensão da ligação à Internet. E deixa o recado: “a introdução da Alta Autoridade instituída por lei, exclusivamente encarregada de uma função preventiva na luta contra a pirataria, irá prosseguir dentro do calendário previsto e as primeiras mensagens de notificação começarão a ser enviadas este Outono aos subscritores de ligações de Internet.”

(foto de choisirtoujours segundo licença CC-BY 2.0)

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wazzup » Blog Archive » Direitos contra Direitos: Bloco de Esquerda debate propriedade intelectual
5 de Setembro de 2009 ás 23:37

{ 26 comments… read them below or add one }

1 remixtures 10 de Junho de 2009 ás 21:56

Resposta gradual: Conselho Constitucional francês diz não ao corte da Internet – http://is.gd/XS5p

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2 Carlos Augusto 10 de Junho de 2009 ás 22:59

Quando começarem a mamar com penas de prisão e com indemnizações brutais muito vão os parasitas pedir para que regresse a resposta gradual…

Tiveram a vossa oportunidade…agora vem a mão pesada!

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3 Miguel Caetano 10 de Junho de 2009 ás 23:03

Caro Carlos Augusto:

não me diga que também acredita em histórias da carochinha? A instauração de processos tem um custo elevadíssimo para os titulares de direitos e a verdade é que até hoje os casos de internautas franceses vítimas de processos judiciais é bastante reduzido. Com milhões de pessoas a partilharem, as probabilidades de ser apanhado são mínimas :-)

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4 netshark 11 de Junho de 2009 ás 23:17

Acho que o Miguel, já deu uma resposta breve sucinta e directa. Contudo, eu posso entrar em mais detalhes.
Caso não saiba, o limite para privados num processo criminal de pirataria, são 5000 €, que reverte a favor do estado, e calculado com base no iva dos produtos em questão.
Se quiserem indeminizações "brutais" a irem parar ao vosso bolso, tem que instaurar um processo civil, e pedirem aquilo que desejam. Mas se houver backfire, e o reu afinal, não for culpado, as custas de tribunal sao calculadas sobre aquilo que voces pedem de indemnização. Ou seja, se pedirem uma "brutalidade" e perderem, o tribunal, vai-vos exigir uma brutalidade.
Por outro lado, até hoje so houve uma pena de prisão confirmada por pirataria em Portugal, e o visado foi um feirante reincidente na pratica de pirataria, sendo condenado a 8 meses de prisão.
Para privados a coisa é muito mais complexa. Sabe que não estamos no tempo da pide, e é preciso que um juiz dê á ASAE, pj, gnr, um mandato de busca e confiscação de material, para poderem entrar em casa das pessoas. Mas para chegar ai, tal como o Miguel indicou, o processo judicial, tem um longo caminho para percorrer.

Se quer meter medo com incertezas e duvidas, veio ter ao lugar errado.

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5 teresa benassi 10 de Junho de 2009 ás 23:16

RT @remixtures: Resposta gradual: Conselho Constitucional francês diz não ao corte da Internet – http://is.gd/XS5p

Responder

6 João Correia 11 de Junho de 2009 ás 0:26

Filipe Marques: Resposta gradual: Conselho Constitucional francês diz não ao corte da Internet | Remixtures http://bit.ly/RksjT

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7 Fábio Alexandre 11 de Junho de 2009 ás 0:42

Resposta gradual: Conselho Constitucional francês diz não ao corte da Internet http://tinyurl.com/m3pml5

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8 Renan Birck Pinheiro 11 de Junho de 2009 ás 0:45

RT @fabinhuh: Resposta gradual: Conselho Constitucional francês diz não ao corte da Internet http://tinyurl.com/m3pml5 // FAIÔ, ZÉ!

Responder

9 Ephram 11 de Junho de 2009 ás 4:23

Excelente notícia, se tivesse aqui Champagne até o abria, em honra dos Franceses.

Carlos Augusto, toma lá a ver se gostas eh eh. Não fico admirado com os argumentos do Tribunal, são mais que óbvios. Mas já estava convencido que já não havia sítio onde a corrupção, influências, lobbying e dinheiro chegassem.

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10 Ephram 11 de Junho de 2009 ás 4:25

Miguel, se puderes corrige-me o comentário para: "Mas já estava convencido que já não havia sítio onde a corrupção, influências, lobbying e dinheiro não chegassem. "
e podes apagar este comment.

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11 Miguel Caetano 11 de Junho de 2009 ás 9:34

Sorry, o sistema da Intense Debate não permite editar comentários :-(

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12 Integra Minas 11 de Junho de 2009 ás 7:19

#IntegraMG Resposta gradual: Conselho Constitucional francês diz não ao corte … http://short.ie/ok6t50

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13 Mad Dogg 11 de Junho de 2009 ás 10:18

O que eu acredito é em algo deveras simples:

Todo o provedor de acesso, como empresa que é, possui licença emitida para o seu funcionamento, licença esta que é emitida por uma autoridade nacional de telecomunicações. O provedor é que é responsável pelo conteúdo que disponibiliza, e não apenas o utilizador. Como há resistências, a solução é simples:

CASSAÇÃO DA LICENÇA DOS PROVEDORES DE ACESSO E ENCERRAMENTO DOS MESMOS!

Admira-me o seguinte, decisões francesas, suecas, inglesas e afins, quando estamos em TERRITÓRIO PORTUGUÊS! Portugal, embora dependente da UE, é regido pelo princípio da SOBERANIA e não anda a espera de decisões externas para questões internas.

Abram o champagne sim. A próxima presidência da UE é Francesa! ;)

Quem ri por último, ri duas vezes!

Mad Dogg
Serial Killer de Piratas Informáticos

Responder

14 Miguel Caetano 11 de Junho de 2009 ás 10:41

Abram o champagne sim. A próxima presidência da UE é Francesa! ;)

Quem ri por último, ri duas vezes!

Olhe que não, olhe que não. A próxima presidência da União Europeia vai ser ocupada pela Suécia ;-)

Responder

15 netshark 11 de Junho de 2009 ás 22:59

"CASSAÇÃO DA LICENÇA DOS PROVEDORES DE ACESSO E ENCERRAMENTO DOS MESMOS!"
Afinal enganei-me, voce tambem diz alguns disparates quando usa caps. :)
Sabe porque jamais, em tempo algum, isso acontecerá em Portugal?
Porque nesse caso, o estado Portugues estaria a dar tiros no pé, pois estaria a meter-se em problemas, somente com um dos maiores grupos empresariais Portugueses (Portugal Telecom), na qual ainda possui as ilegais golden shares, na qual é o maior accionista o maior grupo financeiro Portugues (CGD) e que controla um dos sectores-chave para a economia portuguesa, muito mais critico do que a cultura, as telecomunicações.
Por isso caro mad dogg, não entre por ai, porque vai comprar uma guerra que nao vai vencer, nem voce, nem os seus lobbies antipiratas amigos.

Responder

16 Mad Dogg 11 de Junho de 2009 ás 11:24

Na Suecia, MC e tu bem sabes, a maioria é conservadora!

Estes do PP nao tem sequer direito a serem ouvidos.

MD

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17 Ephram 11 de Junho de 2009 ás 18:27

Mas tu tens andado atento ás noticias?? Os partidos suecos até se roem de inveja, com a adesão que o PP tem tido nas camadas jovens da população. E o melhor de tudo é que a cada eleição europeia, cinco anos passam, e quem tinha 13, 14, 15, 16 e 17 anos, passa de "puto" a eleitor.

Daqui a 5 anos talvez não sejam apenas os suecos a lá porem alguém.

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18 Mad Dogg 11 de Junho de 2009 ás 21:01

Daqui a 5 anos não haverá é mais cultura. Deixarão de haver livros, musica e filmes por que vão parar de os fazer. E isto já se passa com alguns autores.

E 5 anitos passam assim ó!

Depois quero ver.

Mad Dogg

Responder

19 Ephram 11 de Junho de 2009 ás 22:29

Porquê??

Não me digas que vão passar a controlar a internet, e o que é que pode ou não entrar na rede… Aí sim, a cultura teria morrido.

Seria mais ou menos como querer ouvir música, mas só ter a MTV.

Responder

20 netshark 11 de Junho de 2009 ás 22:47

Mad dogg não se vitimize, anda a ver um panorama muito negro.
O cinema não matou a radio; a tv não matou o cinema; o video não matou cinema; a Ca7 não matou a musica…. então porque raio irá a internet matar a cultura?
A actividade economica irá continuar, os modelos de negocios, canais de distribuição, e outras componentes associadas, é que serão diferentes.

Responder

21 Nelson Cruz 12 de Junho de 2009 ás 1:29

Mad Dogg, daqui a 5 anos algumas empresas que se dedicam a esses sectores podem de facto ter deixado de existir (se não se tiverem adaptado entretanto). Mas isso não significa que não se façam filmes, livros e música.

Desses 3 sectores só a música está com problemas, e mesmo aí é só no sub-sector da venda de discos de plástico. Mas apesar disso, provavelmente nunca se fez tanta música como hoje. Muita dela disponbilizada com licenças creative commons (gratuita) e que é feita porque existe a internet, e não apesar dela. Há um certo modelo de negócio que está em crise, não a cultura em si (que já cá andava muito antes desse modelo existir!).

Há e sempre houve quem faça música de forma amadora e sem fins lucrativos. Não vão desaparecer agora. Quem quiser ser pago tem de arranjar formas de cativar os fans a pagar qualquer coisa. Usar a sua música para promover coisas pelas quais os consumidores estejam dispostos a pagar. Ou então arranjar alguém que lhes pague para trabalhar, por terem um negócio montado que lhes permite obter retorno desses conteúdos. Este papel era e ainda vai sendo feito pelas editoras. Mas outras entidades, com outros modelos de negócio, irão (ou já estão a) surgir para executar esse papel.

Só porque o sector dos conteúdos dependia demasiado de um modelo de negócio com protecção especifica da lei e do estado (um privilégio que poucos têm), isso não significa que possam recorrer para sempre à lei e ao estado para manter esse modelo de negócio a funcionar. Uma coisa é proibir que alguém lucre com a venda de conteúdos cuja criação não ajudou a pagar. Outra coisa é proibir que os cidadãos partilhem esses conteúdos entre si, para fins pessoais e não lucrativos, atropelando uma série de direitos pelo caminho. É o que dá tentar aplicar uma regulação comercial, à vida privada de toda a gente!

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22 Mad Dogg 12 de Junho de 2009 ás 0:23

Pensa netshark, pensa.!

Ninguem gosta de trabalhar de graça! (á excepção do miguel caetano)

A Internet sozinha matou isto tudo, espera e verás.

Mad Dogg

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23 netshark 12 de Junho de 2009 ás 1:38

As tentativas de controlo, repressao, e similares, vao levar estes senhores a lado nenhum rapidamente, de formas embaraçosas.
O engraçado nisto tudo é que uma das empresas de software que mais "almoços gratis" dá a nivel mundial, dá lucro :)
E não esta sozinha. O autor deste blog ja apontou outros exemplos para industria musical.

É nestas ocasiões que estes pseudo-iluminados que teimam em manter os modelos tradicionais de negocio, ficam completamente embaraçados pela sua ignorancia. Mas como estão completamente ultrapassados e não possuem inteligencia para quebrar este ciclo, afundam-se cada vez mais na lama.

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24 netshark 12 de Junho de 2009 ás 1:39

Lol decidamente não conheces o terreno que pisas. E eu ja penso neste assunto (e relacionados) ha mais de uma decada.
Há muita gente que trabalha de graça na net, ou quase, ja ha bastante tempo.
Essa é de resto uma filosofia que ja vem de muito longe. Mais longe do que possas imaginar.
Em Portugal é que temos uma mentalidade oportunista de pensar no aqui e agora e em pequeno, sempre com os cifrões a embelezar.
Quando o presidente da assoft, referindo-se em 2001-2003 (nem sei bem o ano) ao software livre, disse que tinha que "obedecer a padroes" (ele la saberá o que isso significa), pois "não existem almoços gratis", estava a exacerbar a sua completa ignorancia, sobre o que se passa a nivel de desenvolvimento de software na internet.
É facil estabelecer um paralelismo entre este senhor e outros ignorantes, desta feita, da industria musical.

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25 Ephram 12 de Junho de 2009 ás 3:26

Não posso concordar que as tentativas de controlo e repressão não tenham resultados. Afinal, gastaram milhões para levar o Pirate Bay á justiça, e isso teve resultados: Um representante do PP no Parlamento Europeu muhahah

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26 pedromvieira 12 de Junho de 2009 ás 19:03

Conselho Constitucional francês manda lei HADOPI para as urtigas > http://tiny.cc/6tlD2

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