Música comercial significa inevitavelmente aumento de preços. É esta a lógica fria e calculista que os clientes da eMusic aprenderam recentemente com o anúncio do acordo de licenciamento estabelecido entre a retalhista de música online e a Sony Music Entertainment (SMEI).
Segundo o New York Times e o comunicado oficial, o acordo abrange músicas com mais de dois anos de idade pertencentes a todas as subsidiárias da SMEI (Arista, Columbia, Epic, Jive, LaFace, Legacy Recordings e RCA) de artistas como Michael Jackson, OutKast, The Strokes, The Clash, Jeff Buckley, etc.
Tendo em conta que até agora a eMusic apenas tinha conseguido estabelecer acordos com editoras independentes, a comercialização do vasto catálogo da Sony – que deverá ter início mais para o final do Verão – é sem dúvida uma boa notícia para a empresa fundada em 1998 e que funciona como um clube de subscrição com mais de 400 mil assinantes.
Mas como não há bela sem senão, para aceitar este acordo a SMEI deve ter certamente exigido como contrapartida preços mais elevados por cada música descarregada. Quem paga são os subscritores da eMusic. Assim, a partir de agora, por 11,99 dólares a modalidade Basic dará direito a apenas 24 MP3s (50 cêntimos cada) em lugar dos anteriores 30 (40 cêntimos cada), o que representa um aumento de 25 por cento.
Pior ainda, a modalidade Plus passará a custar 15,89 dólares em lugar dos anteriores 14,99 dólares, dando direito a apenas 35 downloads (35 cêntimos cada) em lugar dos anteriores 50 (a 30 cêntimos cada). Feitas as contas, o aumento do preço por faixa é de 50 por cento.
Quanto à modalidade Premium, dos 19,99 dólares anteriores vai passar a custar 20,79 dólares, dando direito a apenas 50 downloads (42 cêntimos por faixa) em lugar dos anteriores 75 downloads (27 cêntimos por faixa). No total, o preço por música subiu 56 por cento.
Quando ocorre um aumento tão impressionante e desproporcional como este, de nada servem funcionalidades de “contextualização de álbuns e músicas dos artistas da Sony Music” capazes de estabelecer relações entre artistas majors e independentes que a eMusic promete.
No seu blog oficial, a empresa limitou-se a realçar as vantagens do acordo estabelecido com a Sony e ignorou completamente o aspecto desagradável do aumento dos preços. Os actuais clientes da eMusic é que aproveitaram imediatamente para manifestar o seu descontentamento para com o novo tarifário nos comentários.
É certo que tanto a loja online do iTunes como a da Amazon oferecem às grandes editoras preços bastante mais vantajosos do que a eMusic. Mas ao aumentar os preços da sua subscrição apenas para fazer a vontade a uma das majors, a eMusic arrisca-se a perder a sua base de clientes fiéis, na sua maioria fãs de música independente que não querem saber nada de música comercial.
Este episódio serve também para relembrar porque é que o Estado deve intervir no mercado de música online através do estabelecimento de preços que não discriminem nenhum dos agentes. Até lá, grandes conglomerados multimédia vão continuar a moldar o mercado a seu favor, obrigando os retalhistas a praticarem preços mais altos.
(foto de vantazy segundo licença CC-BY-NC-ND 2.0)
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bolas tão complicado….continua a ser mais fácil descarregar online? então é isso q vai continuar a acontecer. burros pá.
Humm, a eMusic é uma loja de música online. Acho que o que querias dizer era que continua a ser mais fácil descarregar música de borla através de sites e redes mais ou menos ilegais
Podiam ao menos ter dado a opção aos clientes actuais de continuarem com as mesmas condições, mas sem acesso às músicas da Sony.
É um precedente complicado de facto. Se vão aumentar o preço por MP3 até 50% por cada major com a qual conseguirem acordo…. vai ser o descalabro.
Sony & eMusic: era uma vez um clube de música indie http://tr.im/ntcL
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